Após dispersão das passeatas, oito são detidos por confronto no metrô

Flávio Costa e Bernardo Barbosa

Do UOL, em São Paulo

Manifestantes que participaram da passeata contra o aumento da passagem do transporte público em São Paulo entraram em confronto físico com seguranças da estação de metrô Consolação, na avenida Paulista, após a dispersão do ato desta quinta-feira (14). A estação foi fechada pelo Polícia Militar, que acompanhava o protesto, e liberada cerca de 30 minutos depois. Pelo menos três bombas foram ouvidas dentro da estação.

Ao menos, oito pessoas foram detidas no protesto, segundo policiais que participaram da ação. Dois vidros da estação foram quebrados. Segundo a PM, duas das três bombas foram jogadas pelos manifestantes. 

De acordo com o Gapp (Grupo de Apoio ao Protesto Popular), que atende voluntariamente feridos em manifestações, duas pessoas ficaram feridas no protesto. Um se machucou sozinho e outro foi alvo de um golpe de cassetete desferido por um PM.

As manifestações desta quinta foram convocadas pelo MPL (Movimento Passe Livre), que defende a adoção da tarifa zero no transporte público. Uma saiu do Theatro Municipal, no Centro, rumo à avenida Paulista passando pela avenida Brigadeiro Luís Antônio. A outra partiu do Largo da Batata, em Pinheiros, passou pelas avenidas Faria Lima e Pedroso de Morais, cruzou a ponte da Cidade Universitária e chegou ao metrô Butantã.

Houve uma rápida confusão na dispersão do segundo protesto. Segundo a tenente-coronel da PM Dulcinéia Lopes, que comandava o policiamento do ato, alguns manifestantes atiraram pedras e garrafas contra os policiais. Os oficiais reagiram disparando três balas de borracha. A estação chegou a ser fechada temporariamente pela concessionária Via Quatro, gerando protestos de quem queria entrar para embarcar.

Catracas liberadas no Butantã

Ao fim da manifestação no Butantã, o advogado Guilherme Perissé, do coletivo Advogados Ativistas, relatou que PMs atiraram contra um grupo de quatro pessoas que negociava a liberação da entrada da estação após o final da passeata. Ninguém ficou ferido. A estação também foi fechada e alguns manifestantes tentaram pular a catraca, mas elas acabaram sendo liberadas.

 

Na avaliação da tenente-coronel, apesar da confusão, o resultado final do ato do MPL foi positivo, tanto para a polícia quanto para os manifestantes

Durante mais de duas horas, as duas passeatas organizadas pelo MPL ocorreram sem violência. 

Outros dois protestos já foram realizados pelo movimento e acabaram em várias cenas de violência. Na sexta-feira (8), houve conflito quando um grupo de adeptos da tática black bloc tentaram fechar as duas vias da avenida 23 de maio no centro. Na terça-feira (12), na praça do Ciclista, na avenida Paulista, a polícia soltou dezenas de bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral e cercou os manifestantes.

Durante a passeata no Centro, houve momentos de tensão, com grupos de black blocs pressionando policiais, mas nenhum incidente havia sido registrado.

Diferentemente dos outros dois protestos, desta vez o MPL divulgou, pela internet, o itinerário das passeatas. O grupo, no entanto, se recusou a participar de uma reunião antecipada com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.

Logo no início da tarde, a PM informou que iria acompanhar e não iria reprimir a passeata se os grupos mantivessem os percursos informados.

O próximo protesto do grupo está marcado para a terça-feira (19) na esquina das avenidas Brigadeiro Faria Lima e Rebouças, na zona oeste. 

No último dia 9, o preço das passagens de ônibus, metrô e trens em São Paulo foi elevado pelo governo do Estado e pela Prefeitura de São Paulo O valor subiu de R$ 3,50 para R$ 3,80.

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