'Vivíamos vulneráveis e não sabíamos', diz governador do RN sobre ataques

Colaboração para o UOL, em Maceió

  • Reprodução/Facebook

    Robinson Faria (PSD), governador do RN, diz que Estado está vulnerável

    Robinson Faria (PSD), governador do RN, diz que Estado está vulnerável

O governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD), afirmou nesta segunda-feira (1º) que a reação de criminosos após o bloqueio de sinal de celular no Presídio Estadual de Parnamirim era esperada, mas o poder de mobilização foi maior que o imaginado. Para ele, o Estado vivia em situação de vulnerabilidade e não sabia, mas ele disse que não vai recuar nas ações dentro do sistema prisional.

"Na verdade já vivíamos, e não sabíamos, numa situação vulnerável. De certa forma sabíamos, mas pelas reações que estamos tendo nas ruas, mesmo com toda a polícia ostensiva, dá uma ideia e dimensão de quantas pessoas há do lado de fora que estão soltas para assaltar, matar, estuprar, para atrapalhar o padrão de segurança do nosso Estado, obedecendo ordens de presos e sendo solidários. Nós já tínhamos um grupo aparentemente invisível para fazer o mal", disse, em entrevista ao programa "Bom Dia, Rio Grande do Norte" (Globo).

Segundo a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social, foram 65 ataques registrados até esta manhã, entre eles 35 incêndios (26 ônibus e micro-ônibus), seis disparos contra prédios públicos e proximidades e três atentados com artefatos explosivos. Há ainda depredações e tentativas de incêndios computadas. Os ataques ocorreram em 21 cidades. Ao todo, 60 pessoas já foram presas suspeitas de participação na onda de ataques.

Faria informou que, mesmo com os atentados, o Estado vai endurecer nas ações. "É a primeira vez que acontece no Rio Grande do Norte: acabar com essa folga de gabinetes dentro de presídios. Alguns Estados deixaram de fazer, recuaram, mas o Rio Grande do Norte não vai recuar. Não estamos aqui fazendo bravata, temos o papel de defender a sociedade. Sabemos o risco, mas é para o bem da sociedade. É uma etapa difícil, eles querem nos intimidar, mas não vão vencer", declarou.

Apesar da retaliação pelo bloqueio de sinal em apenas um presídio, ele diz que vai estender as medidas a todos os demais presídios em curto prazo. "Vamos fazer isso em caráter de urgência, em no máximo 90 dias. Essa é nossa disposição. Temos todas as garantias legais, isso já foi compartilhado com órgãos de controle. Estamos em período de calamidade, e existem mecanismos jurídicos que podem apressar esse processo", afirmou.

O governador afirmou ainda que o Rio Grande do Norte "está dando exemplo de atitude ao país ao enfrentar o sistema penitenciário". "Toda essa onda no Brasil é comandada de dentro dos presídios", disse.

Transferência e medo

Uma das medidas que devem ser tomadas nas próximas horas é a transferência de presos que estariam comandando os ataques para penitenciárias federais. "Nós identificamos, através do setor da inteligência, os principais líderes desse movimento, e alguns estão sendo transferidos para presídios federais. É mais uma ação que enfraquece esses grupos para garantir a volta da normalidade", explicou.

O governador ainda pediu que a população não se deixe levar por um clima de total insegurança e incertezas e disse que o Estado está lutando para retomar o controle da situação. "Não estou dizendo que não é para ter esse medo, até porque estamos vivendo uma guerra, essa guerra ainda está em andamento, mas nos vamos vencer. Aos poucos, com a chegada do Exército, da Marinha, com a polícia em investigação para chegar aos chefes das facções, vamos devolver o clima de normalidade", finalizou. 

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