11 pessoas são presas acusadas de financiar ataques criminosos no RN

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

  • Divulgação/Sindaspen (Sindicato dos Agentes Penitenciários do RN)

    Incêndio provocado por detentos do Presídio Estadual de Parnamirim (RN) para tentar danificar os bloqueadores de celular

    Incêndio provocado por detentos do Presídio Estadual de Parnamirim (RN) para tentar danificar os bloqueadores de celular

Onze pessoas foram presas, nesta terça-feira (6), acusadas de financiar a série de ataques criminosos que atingiram Natal e 38 cidades do interior do Rio Grande do Norte, entre o final do mês de julho e início de agosto. Os ataques foram ordenados por lideranças da facção criminosa Sindicato do Crime do RN, que atua dentro dos presídios do Estado, devido à instalação de bloqueadores de sinal de telefonia móvel dentro da PEP (Penitenciária Estadual de Parnamirim), localizada na região metropolitana de Natal.

"Temos elementos concretos que mostram que essas pessoas que foram presas hoje ordenaram e financiaram os ataques promovidos no Rio Grande do Norte no final do mês de julho. Essa operação foi importante no combate à macrocriminalidade, numa atuação conjunta e nosso objetivo principal foi alcançado, com a prisão da cúpula dessa facção criminosa", destacou o secretário adjunto da Segurança Pública e da Defesa Social, Caio Bezerra.

Segundo a polícia, o grupo intermediou e pagou a compra de material usado nos incêndios a ônibus e outros crimes ocorridos no Estado durante a série de ataques criminosos. Investigações apontaram que ação criminosa foi articulada por chefes da facção que já estavam presos no sistema prisional do RN. Eles teriam conseguido financiar os crimes com ajuda dos acusados presos hoje.

As prisões ocorreram durante a operação Medellín, deflagrada pelo Ministério Público Estadual e pela Polícia Civil do RN. Foram cumpridos 14 mandados de prisão preventiva, 12 mandados de condução coercitiva e 26 mandados de busca e apreensão expedidos pela 9ª Vara Criminal de Natal. Três dos acusados que receberam mandado de prisão já estavam recolhidos no sistema prisional, A operação envolveu 21 delegados, 110 policiais civis e quatro promotores de Justiça.

O Ministério Público Estadual afirmou que os acusados adquiriram "vultuoso patrimônio decorrente do tráfico de drogas" estimado em cerca de R$ 20 milhões. Segundo as investigações, um esquema de lavagem de dinheiro era patricado, , o patrimônio dos acusados era administrado por terceiros e estes eram associados criminalmente à facção, dissimulando a propriedade dos bens adquiridos com o tráfico.

Os presos vão responder por associação para o tráfico, formação de quadrilha, além de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores. Dentre os acusados de associação à facção criminosa e ao tráfico de drogas estão dois advogados, Ana Paula Nelson e Allan Clayton Pereira de Almeida, e o agente da Policial Civil Iriano Serafim Feitosa, que já morreu.

O UOL tentou localizar a defesa dos acusados, na tarde desta terça-feira, mas não conseguiu.

Os promotores de Justiça Rodrigo Câmara e Flávio Pontes destacaram que bens dos acusados adquiridos com o tráfico de drogas foram apreendidos, sequestrados ou bloqueados, entre eles, 20 veículos de luxo e 17 imóveis de alto padrão, localizados em condomínios de luxo em Parnamirim. 

A polícia apreendeu uma máquina de contar cédulas, armas, binóculos e máscaras usadas em ações criminosas do grupo. A polícia encontrou ainda 300 litros de gasolina, que estavam estocados em bombas na casa de um dos acusados. O combustível apreendido provavelmente seria usado em novos ataques no Estado.

Núcleos

Investigações descobriram que a organização criminosa tinha três principais lideranças: Gilson Miranda Silva, João Maria Santos de Oliveira e Islânia de Abreu Lima.

Gilson é acusado de ser grande traficante distribuidor de droga para o RN e está foragido da Justiça. Segundo o MPE, Miranda possui ligação direta com grandes traficantes do país, a exemplo de José Silvan de Melo, conhecido por "Abençoado", que foi preso em abril de 2015, no Mato Grosso, com R$ 3,2 milhões.

João Maria Santos de Oliveira, conhecido por "João Mago", é apontado como um dos fundadores da facção Sindicato do Crime e coordenador dos atos de vandalismos praticados em Natal e cidades do RN em retaliação à instalação dos bloqueadores de sinal de telefonia móvel na PEP. Ele estava foragido da Justiça desde dezembro do ano passado quando conseguiu ser liberado apresentando alvará de soltura falso.

Islânia de Abreu Lima, acusada de tráfico de drogas e mulher de Diego Silva Alves do Nascimento, conhecido como "Diego Branco", que chegou a ser um dos criminosos mais procurados do Rio Grande do Norte. Diego está preso na Penitenciária Federal de Porto Velho (RO). Islânia também foi presa após ter sido constatado o seu envolvimento com os atos de vandalismos.

 

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