Acusada de jogar bombas, PM se envolve em confusão em bar da Vila Madalena

Flávio Costa

Do UOL, em São Paulo

Uma confusão envolvendo policiais militares e frequentadores de um bar na Vila Madalena, reduto boêmio de São Paulo, terminou com a detenção de quatro pessoas na madrugada deste sábado (10).

Relatos de pessoas presentes no momento do ocorrido afirmam que policiais militares lançaram bombas de gás lacrimogêneo na rua Wizard, onde se localiza o Empanadas Bar, e depois fizeram uso excessivo da força ao abordarem clientes do estabelecimento que criticaram a ação policial.

Em nota enviada ao UOL, a Policia Militar de São Paulo afirma que foi acionada por moradores da região por conta do barulho promovido por um grupo de 70 pessoas, que ouviam músicas em alto volume. "Na tentativa de dispersar o grupo quatro pessoas, exaltadas, resistiram à prisão e desacataram os policiais militares", diz o texto, que prossegue: "Na ação foi necessário o emprego de técnicas de controle de distúrbios." A nota não faz menção ao que aconteceu especificamente dentro do Empanadas Bar (leia a nota completa abaixo).

"Eram 1h45 quando ouvimos a explosão de três bombas do lado de fora do bar e vimos pessoas correndo assustadas. Não deu para entender o motivo. Pouco depois, apareceram ao menos dez policiais militares com armas em punho e escudos. Eles jogaram uma quarta bomba, esta mais próxima do bar", afirmou ao UOL a funcionária pública Érika Marques, 24. "De repente as pessoas começaram a tossir e sentir ardência nos olhos", acrescentou.

Policiais militares entraram no bar após ouvirem críticas de alguns clientes. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram policiais militares tentando imobilizar uma mulher até que conseguem levá-la detida. Um PM chega a mostrar uma arma às pessoas. Nas imagens é possível perceber pessoas tossindo, por conta do efeito da bomba de gás lançada nas proximidades do bar. Em nota, a corporação afirma que "os agentes foram hostilizados";

A altercação durou ao menos meia hora, período em que ninguém conseguiu sair do local. "Foi uma ação completamente violenta e desproporcional. Nós, os cidadãos, temos o direito de criticar a ação da PM quando não concordamos da maneira que ela realizada", disse.

O UOL telefonou para o Empanadas Bar no começo da tarde de sábado. Um funcionário que não quis se identificar afirmou que não estavam presentes o dono ou gerente que pudessem falar sobre o ocorrido. A reportagem enviou e-mail e deixou mensagens no site do estabelecimento, mas até o momento da publicação desta reportagem não obteve retorno.

A Polícia Militar de São Paulo tem recebido críticas de movimentos sociais e instituições de direitos humanos pelo seu comportamento em manifestações contra o presidente Michel Temer e pelas Diretas Já que estão sendo realizadas na capital paulista. No último domingo (4), policiais militares prenderam 26 pessoas sob alegação que estaria planejando atos de violência antes da passeata, cuja dispersão foi forçada com uso de bombas de efeito moral. A Justiça considerou as prisões irregulares e libertou os acusados.

Resposta da PM

No final da tarde de sábado, a Polícia Militar de São Paulo enviou a seguinte nota sobre o assunto:

"A Polícia Militar esclarece que na madrugada deste sábado,10, foi acionada para comparecer na rua Wizard, no bairro Pinheiros, por conta de diversas reclamações de moradores da região, incomodados com o volume do som produzido por um grupo com aproximadamente 70 pessoas que permaneciam na via ouvindo músicas em elevado volume em veículos, perturbando o sossego.

Na tentativa de dispersar o grupo 4 pessoas, exaltadas, resistiram à prisão e desacataram os policiais militares. Por esse motivo foram conduzidas para os devidos registros de Polícia Judiciária no 14º DP. Na ação foi necessário o emprego de técnicas de controle de distúrbios. Os policiais foram hostilizados."

 

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