Menino de 13 anos morre em SP após se asfixiar durante desafio online

Do UOL, em São Paulo

  • iStockphoto

O jovem Gustavo Riveiros Detter, de 13 anos, morreu neste domingo (16), em um hospital de Santos (SP), de complicações decorrentes de um enforcamento. Há suspeitas de que o menino tenha se asfixiado durante um desafio chamado "brincadeira do desmaio", informou Marco Riveiros, tio do garoto, em entrevista a uma emissora de TV local.

Gustavo estava na casa do pai, em São Vicente, e foi encontrado enforcado no quarto em frente ao computador. De acordo com a polícia, as cenas do enforcamento teriam sido transmitidas para amigos do adolescente por webcam.

Segundo a Polícia Civil de São Vicente, Gustavo estava jogando sozinho no computador do quarto do pai, mas conversava online com outras crianças. Ao notar a ausência de Gustavo na conversa e na câmera por algum tempo, um deles ligou para a prima do garoto, que estava no quarto ao lado. Ela o encontrou enforcado com o próprio cinto.

Ele foi levado ainda com vida a um pronto-socorro em São Vicente, mas depois foi transferido para o hospital Ana Costa, em Santos, onde morreu.

Ainda segundo a polícia, Gustavo não tinha antecedentes de depressão ou de outros problemas psicológicos.

O "choking game", como é chamada a prática do desmaio provocado em um jogo de desafio, pode ter sido a causa, de acordo com o tio do garoto. "Estão vendendo morte encapsulada em vídeos. Essa meninada não tem a menor condição de fazer juízo de valor disso", disse em entrevista à TV Tribuna.

O boletim de ocorrência foi registrado na 7ª DP de Santos, mas será investigado pela Polícia Civil de São Vicente.

Risco para jovens

Possível causa da morte de Gustavo, a "brincadeira do desmaio" não é uma prática nova, mas tem preocupado pais, professores e médicos por conta de sua disseminação pelas redes sociais.

Casos de mortes de adolescentes que se envolveram nessa "brincadeira" já foram registrados em vários países. Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, entre os anos de 1995 e 2007, pelo menos, 82 crianças e adolescentes, com idades entre seis e 19 anos, morreram no país por causa da prática.

Na França, desde 2000, existe uma associação de pais de vítimas de acidentes por estrangulamento, a APEAS (sigla do nome em francês, Association de Parents d'Enfants Accidentés par Strangulation), que registra uma média de dez mortes por ano. Lá o fenômeno é conhecido como "Jeu du Foulard" ("jogo do lenço"), pois a prática mais popular naquele país consiste em um estrangulamento com o uso de um laço em torno do pescoço.

Segundo a psicóloga Vera Zimmermann, coordenadora do Centro de Referência da Infância e Adolescência da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), é comum no adolescente a necessidade de medir limites, o que explicaria o crescimento da prática.

"Diante das mudanças pela qual está passando, saindo da infância e se dirigindo à vida adulta, é importante para o jovem provar quem é e do que é capaz. A sociedade, hoje, tem poucos rituais de passagem e, para desenvolver a autoestima, ele precisa de situações que lhe darão a certeza de sua capacidade", diz Vera.

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