PM foi 2 vezes a local onde estavam corpos de chacina, mas não os encontrou

Marcos Sergio Silva

Colaboração para o UOL, em São Paulo

  • Hélio Torchi/Estadão Conteúdo

    A polícia encontrou os corpos no domingo (6) em Mogi das Cruzes

    A polícia encontrou os corpos no domingo (6) em Mogi das Cruzes

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo instaurou um IPM (Inquérito Policial Militar) para investigar a conduta de duas equipes de policiais militares que estiveram no local onde estavam os corpos dos cinco jovens mortos em uma chacina, mas não acharam as vítimas.

Os jovens desapareceram no dia 21 de outubro, no Jardim Rodolfo Pirani (zona leste de São Paulo). Os cadáveres, já em estado de decomposição, só foram localizados por uma terceira equipe de policiais, enviada no último domingo (6).

Morreram na chacina Jones Ferreira Araújo, 30, César Augusto Gomes, 19, Jonathan Moreira, 18, Caique Henrique Machado, 18, e Robson Donato de Paula, 16. O último corpo foi identificado nesta sexta-feira (11). As vítimas devem ser enterradas no sábado, no Cemitério de Vila Alpina (zona leste).

Na última semana de outubro, o sitiante que cuidava da área rural em Mogi das Cruzes (Grande São Paulo) onde estavam os corpos verificou a presença de um cheiro forte e de urubus rondando a região. No local, pode ver um pé de uma pessoa.

Ele acionou a Polícia Militar, que nada encontrou e voltou para a unidade. Uma nova solicitação foi feita na mesma semana, quando os cadáveres já estavam descobertos de terra e com uma camada de cal por cima --o que, segundo peritos, acelera a decomposição.

Familiares das vítimas dizem que estão sendo ameaçados

As declarações foram dadas em coletiva de imprensa nesta sexta-feira  na sede da Secretaria de Segurança Pública do Estado.

Até o momento, a polícia prendeu o guarda civil de Santo André Rodrigo Gonçalves de Oliveira, que afirmou ter planejado a emboscada contra os garotos em Ribeirão Pires, a pretexto de vingar a morte de outro agente, Rodrigo Lopes Sabino, 30, assassinado em um assalto no dia 24 de setembro no Jardim Ana Maria, em Santo André (ABC), localidade próxima ao Jardim Rodolfo Pirani.

"Talvez tenha faltado um pouco de empenho ou de traquejo dos policiais, porque era um trabalho em mata. Essa questão já está sendo apurada, porque o encontro dos cadáveres podia ter sido realizado dias antes, por conta do trabalho malfeito pelos patrulheiros", afirmou o coronel Levy Félix, corregedor-chefe da Polícia Militar.

"Esse sitiante acionou a PM porque sentia um forte odor e indicou o local. A guarnição não localizou esses corpos. Isso está sendo apurado no âmbito da corregedoria. Por que depois, com a PM acionada novamente, ela encontrou? Por que a primeira guarnição não os encontrou?", questionou o secretário de Segurança Público, Mágino Alves.

Segundo o chefe da Delegacia de Homicídios Múltiplos, Luiz Fernando Lopes, o próprio sitiante passou a procurar os corpos, sozinho. Nenhum policial o ajudou na busca dos cadáveres. "Esse trabalho de adulteração do local de crime passou a ser feito pelas próprias pessoas [que mataram as vítimas]", diz.

Sobre os cartuchos .40, de lote comprado pela Polícia Militar de São Paulo, Levy disse esse material, adquirido em 2013, não era mais utilizado pela corporação desde 2015.

Ele afirmou que a cena de crime com os estojos .40 foi "montada" depois do primeiro encontro dos cadáveres, antes mesmo de a PM chegar ao local.

"Em relação à cena com os cartuchos, a identificação dos números nos levou à consulta interna. Motivou a instauração do IPM, porque poderíamos pensar em policiais militares envolvidos. Esses lotes foram comprados em 2013 e temos renovação anual da munição. Esses lotes já teriam sido consumidos por conta da validade --eles deveriam ser utilizados ou na rotina diária ou em treinamento. Essa munição possivelmente já estava consumida, e eram apenas cartuchos descartados", afirmou o subcomandante da PM, Francisco Aires Mesquita.

Os policiais também desmentiram que os históricos criminais de dois dos adolescentes tivessem sido consultados durante o desaparecimento. Segundo Levy, as consultas ao Prodesp (centro de processamento de dados do governo do Estado) aconteceram nos dias 2 e 9 de outubro.

O áudio em que Jonathan disse que estaria sofrendo um "enquadro" de policiais, afirmaram, também não teria ocorrido no dia 21 de outubro, mas no dia 5 de outubro, e que seria uma desculpa para uma menina com quem havia combinado um encontro, mas não pode ir.

Nesta sexta-feira, foi pedido que o caso saia do segredo de Justiça, conforme estava, por suposto envolvimento de policiais.

Guarda é preso por suspeita de participação em assassinatos

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos