Violência em São Paulo

Enterrados 4 dos 5 jovens mortos em chacina, sob choro e gritos por justiça

Fernando Cymbaluk

Do UOL, em São Paulo

"Levaram meu menino", gritou uma mãe, enquanto dezenas de pessoas se debruçavam sobre os caixões. O enterro coletivo de quatro dos cinco jovens mortos em uma chacina na Grande São Paulo aconteceu na tarde deste sábado (12), no cemitério da Vila Alpina. 

Os corpos chegaram ao local por volta das 16h e foram recebidos com muito choro. A pedido das famílias, os quatro foram velados juntos, do lado de fora das salas de velório. Sob uma fina garoa, os presentes cantavam canções religiosas e oravam. Um coro pedindo por "justiça" foi seguido por todos. Cerca de uma hora depois, começou o enterro. 

Jones Ferreira Araújo, 30, César Augusto Gomes, 19, Jonathan Moreira, 18, Caique Henrique Machado, 18, e Robson Donato de Paula, 16, desapareceram no dia 21 de outubro no Jardim Rodolfo Pirani, na zona leste de São Paulo.

Os corpos das vítimas foram encontrados no domingo (6) em uma área rural de Mogi das Cruzes (Grande São Paulo), em estado avançando de decomposição. Eles haviam sido enterrados em covas rasas e cobertos com cal. Um guarda civil de Santo André está preso suspeito de participação nas mortes.

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Corpo da quinta vítima ainda não foi liberado

Jones Ferreira Araújo não será enterrado hoje. Sua família chegou a ir até o Cemitério da Vila Alpina, acreditando que os cinco seriam enterrados no local, mas seu corpo ainda não havia sido liberado pelo IML (Instituto Médico Legal).

Como Jones foi a última vítima a ser identificada, na noite da quinta-feira (10), por meio de teste de DNA, não houve tempo de viabilizar seu sepultamento junto com os demais, segundo Cheila Olalla, do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, órgão do governo do Estado. 

O enterro deve ser no cemitério da Vila Formosa e a data ainda não foi confirmada. 

"Se despedir deles juntos é um gesto de carinho"

Os parentes e amigos chegaram ao Cemitério da Vila Alpina a pé e em um ônibus cedido pela Prefeitura de São Paulo. Eles entraram no local em silêncio, levando flores. Para os familiares, o sepultamento dos jovens juntos é um ato de união e solidariedade.

"Estamos juntos nos momentos de dificuldades, e também num momento de dor como esse", disse Kennedy Vasconcelos, 18, primo de Robson.

"Se despedir deles juntos é um gesto de carinho", disse Sarah Santos, 14, prima de Robson. "Eu conhecia todos", afirma.

Para realizar o enterro, as famílias tiveram que esperar a identificação de todos os corpos e enfrentar a resistência do Governo do Estado de São Paulo, que pressionava pelo enterro e negou-se a autorizar uma perícia independente solicitada pelas famílias.

O Estado chegou a dizer que poderia sepultar os jovens como indigentes por uma questão sanitária - os corpos estavam em avançado estado de decomposição. Robson, que tinha uma prótese na coluna, foi o primeiro a ser identificado, na segunda-feira (7).

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