Laudos indicam que helicóptero da PM não foi atingido por tiros, diz secretário

Alfredo Mergulhão

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Roberto Sá, afirmou neste domingo (20) que, até agora, os laudos feitos pelo IML (Instituto Médico Legal) e informações preliminares do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) indicam que nem os corpos dos quatro policiais mortos nem o helicóptero da Polícia Militar que caiu na Cidade de Deus foram atingidos por disparos de arma de fogo.

Segundo o secretário, os laudos do IML ficaram prontos neste domingo. Já a análise do Cenipa ainda não tem prazo para ser concluída. "A Aeronáutica também não encontrou, até o momento, perfurações no helicóptero. Temos que aguardar a perícia deles, que vai levar tempo, mas será conclusiva", disse Sá, que participou do velório coletivo dos PMs.

Questionado sobre a possibilidade de falta de manutenção na aeronave, o secretário afirmou que tudo é possível, mas reforçou que apenas a perícia afirmará a real causa do acidente.

Vídeo mostra momento da queda de helicóptero no RJ

"A PM garantiu que não levanta voo sem a documentação da aeronave em dia. Em tese, está tudo correto. Só assim a aeronave pode voar", disse o secretário.

O helicóptero que caiu não era blindado. O coordenador de comunicação social da Polícia Militar, major Ivan Blaz, afirmou que o modelo Esquilo é uma aeronave leve destinada à observação e transporte de tropa. "Ela trabalha em uma grande altitude com equipamento ótico de monitoramento", disse Blaz.

Perguntado sobre a possibilidade de ter ocorrido algum tipo de falha humana, já que os policiais estavam sob forte pressão, o major afirmou que os PMs tinham experiência neste tipo de voo. "Estamos falando de policiais que trabalhavam há vários anos em operações aéreas. Falar isso neste momento seria até um desrespeito com esses agentes", disse.

Luciano Belford/Framephoto/Estadão Conteúdo
Moradores da Cidade de Deus encontraram sete corpos em um matagal

Quem matou os sete suspeitos?

Ainda segundo o secretário, a Polícia Civil do Rio iniciou neste domingo a perícia no local onde sete corpos foram encontrados na Cidade de Deus. Segundo moradores, os corpos seriam de traficantes. Eles ainda acusaram policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) de terem matado e torturado os homens.

"A identificação dos mortos será feita pela Policia Civil. É importante que seja o mais rápido possível, porque estamos falando de famílias. Não podemos deixar de falar das mortes dos moradores da Cidade de Deus", acrescentou Blaz.

Sá saiu em defesa dos policiais.
 
A PM sangra, são heróis morrendo de forma anônima, Então eu venho me solidarizar com as famílias. Não aguento mais entregar quepe e bandeira para a mãe de um policial morto Roberto Sá, secretário de Segurança Pública do Rio
 
Fábio Motta/Estadão Conteúdo
Polícia faz operação na Cidade de Deus após queda de helicóptero

Sem participação do PCC e favela ocupada

Após a queda da aeronave, a PM iniciou uma operação por tempo indeterminado na Cidade de Deus, que registrou intensa troca de tiros nos últimos dias. Segundo o porta-voz da PM, os confrontos na região são "extremamente complexos", já que a favela é cercada por mata fechada e área de mangue. "Temos ali ações das tropas especiais visando a manutenção do controle daquela região", disse Blaz.

O secretário de segurança do Rio afirmou que não há confirmação de que o PCC teria participado das ações na Cidade de Deus. De acordo com ele, os tiroteios começaram depois que traficantes da comunidade tentaram invadir a área do Gardênia Azul, que tem milícias.

Sá explicou que os confrontos começaram na manhã de sábado após a PM receber uma denúncia anônima de que homens armados circulavam pela comunidade. Uma equipe de policiais checou a informação e foi recebida com tiros. "Houve um novo confronto durante a tarde, e tivemos que acionar a aeronave porque a coisa estava ficando séria", disse o secretário.

Reforço negado

O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, colocou a Força Nacional de Segurança à disposição do Rio. O secretário agradeceu a oferta, mas informou que, por enquanto, a mobilização dos agentes federais não é necessária.

A Anistia Internacional divulgou nota neste domingo condenando a política de segurança pública implementada no Estado do Rio de Janeiro. Segundo o comunicado, o governo tem falhado em proteger a vida tanto dos moradores quanto dos agentes de segurança pública. 

PMs mortos em queda de helicóptero são homenageados

Homenagem aos PMs mortos

Três dos quatro policiais mortos na queda do helicóptero foram velados no Batalhão de Choque, no centro do Rio. São eles: o major Rogério Melo Costa, 36; o subtenente Camilo Barbosa Carvalho, 39, e o terceiro-sargento Rogerio Felix Rainha, 39.

Uma equipe da PM sobrevoou de helicóptero o local e lançou pétalas de rosas durante o velório coletivo, que foi restrito aos parentes e amigos dos policiais. Ao fim da cerimônia, houve salva de tiros em homenagem aos militares. Colegas estavam muito emocionados.

O corpo do capitão e piloto do helicóptero, Willian de Freitas Schorcht, 37, seguiu direto para Resende, na região sul fluminense.

Costa e Schorcht eram pilotos experientes. Ambos fizeram o curso de formação em 2012 e estavam lotados no GAM (Grupamento Aeromóvel) da PM. "Eles tinham muitas horas de voo e capacidade para realizar aquele tipo de missão. Estavam acostumados a sobrevoar comunidades", disse um colega de turma na Escola de Aviação da Polícia Militar.

Barbosa e Felix, como tripulantes, tinham atribuição de alertar os pilotos de algum perigo, como a presença de pessoas estranhas, de uma ave ou rede de alta tensão. Ambos seguiam armados para a eventualidade de precisar fazer algum disparo.

Moradores testemunham passagem de helicóptero da PM

Em 2009, dois policiais morreram e três ficaram feridos após um helicóptero da Polícia Militar realizar um pouso forçado no Morro dos Macacos. A aeronave, parcialmente blindada, havia sido atingida por tiros durante uma operação policial. Além dos tripulantes mortos, um capitão da PM foi baleado na perna e outros dois policiais tiveram queimaduras leves.

Críticas à legislação

O secretário criticou a legislação brasileira e cobrou que o Brasil decida o que fazer com o criminoso violento. Ele lembrou os dados dos traficantes Fú e Claudinho da Mineira, que saíram da prisão para visitar suas mães e "tocaram o terror no Rio". Juntos eles tinham mais de 160 anos de condenação.

"Temos que rever o que fazer com os jovens que hoje são cooptados pelo tráfico, a legislação para que criminosos não fiquem impunes e formas de ressocializar os presos. Nada disso é feito com excelência hoje na nossa sociedade", disse.

Sá admitiu que a PM comete erros, mas que tem dado a vida para proteger a população. "Então peço à sociedade que respeite esses policiais", afirmou. "A PM precisa de controle? Precisa. Precisa de transparência? Precisa. Precisa de correção? Precisa, como todos os servidores públicos. Mas nós temos que rever a legislação", acrescentou o secretário.

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