Família viajou por três meses. Na volta, a casa tinha novos moradores

Eduardo Schiavoni

Coloboração para o UOL, em Ribeirão Preto

  • Eduardo Schiavoni/UOL

    Aparecida de Souza e seu irmão, Ronaldo, fizeram BO em Ribeirão Preto

    Aparecida de Souza e seu irmão, Ronaldo, fizeram BO em Ribeirão Preto

Uma família de Ribeirão Preto tenta, desde sábado, entrar na própria casa. Eles passaram três meses em uma viagem a São Paulo e, quando chegaram, encontraram no imóvel um casal com dois filhos. O "novo morador" afirma ter comprado o imóvel de uma das proprietárias, mas não dispõe de nenhum documento que comprove a transação.

O caso foi registrado na polícia e, até que a Justiça se manifeste, os donos originais da casa vão aguardar pela decisão em casa de familiares e parentes.

O imóvel não tem escritura legalizada, mas o terreno no qual a casa foi construída foi comprado em 1998 por Antonio Ferreira de Souza, já falecido. Os donos atuais são a mulher dele, Ilda de Oliveira Souza, 70, e os filhos do casal, Ronaldo de Souza, Maria Luiza de Sousa e Aparecida de Souza. Todos moram no local, menos Ronaldo, que reside em São Paulo.

Segundo relato de Aparecida, todos os familiares saíram do local há 90 dias para acompanhar Ilda e Maria Luiza em um tratamento médico na capital do Estado. Ilda voltou para Ribeirão Preto no último sábado, e, ao tentar entrar em casa, encontrou o imóvel ocupado.

"Ela não sabia o que fazer e foi para a casa de parentes. Aí, eu e o Ronaldo viemos para Ribeirão na segunda-feira, com os documentos, para registrar o caso na polícia", disse Aparecida.

Eder Fabri, que é o novo morador, afirma que adquiriu a casa de Maria Luiza e que pagou R$ 160 mil pelo imóvel, à vista, além de 20 parcelas de R$ 2 mil. O trato, segundo ele, era que, assim que as parcelas terminassem, ele poderia registrar a escritura.

Ronaldo conta que chegou a tentar buscar objetos pessoais na segunda-feira, mas foi ameaçado pelo entregador Eder Fabri, que estava no local com a mulher e dois filhos. "Ele disse que, se eu tentasse entrar, ela ia me parar no tiro. Ameaçou até bater na minha mãe", disse.

Eduardo Schiavoni/UOL
Fachada da casa que está em disputa no Parque Residencial Candido Portinari

Na terça-feira, a família chamou a polícia e conseguiu entrar no local e pegar alguns objetos. A maior parte dos pertences da família, entretanto, foram retirados da casa, incluindo um carro Celta ano 2014. "Eu tirei cinco mudas de roupa e alguns documentos pessoais. Meu carro, alguns móveis, tudo foi tirado da casa", contou.

Aparecida, por sua vez, conta que a família não tem recursos para buscar um advogado. "Não paguei o IPVA do nosso carro, estava andando de ônibus porque não podia colocar o carro na rua. Somos trabalhadores, mas não temos recursos para pagar um advogado", disse. "Vamos ter que esperar a Defensoria e rezar para não demorar muito", contou.

A Polícia Civil investiga os crimes de invasão de propriedade e furto, mas orientou a família a entrar na Justiça para requerer a reintegração de posse para retirar o atual morador do imóvel e voltar a morar na casa.

"A velha me enganou. Eu dei o dinheiro pra ela e ela ficou de passar a escritura assim que terminasse de pagar. Tirei o dinheiro da boca dos meus filhos e não vou sair nesse prejuízo", disse Eder Fabri. Segundo ele, um contrato com o negócio foi feito, mas ele não conseguiu encontrá-lo. "Passei tudo o que tenho para o advogado", disse.

Vizinhança

A reportagem do UOL esteve no local e conversou com dois vizinhos que moram na mesma rua em que o imóvel fica localizado. Ambos confirmaram, sob condição de não serem identificados por medo de represálias, que o imóvel foi invadido por Fabri.

Um deles afirmou que a família de Fernanda vive no local "há mais de quinze anos", mas que costuma viajar com frequência para São Paulo. "O rapaz que está morando lá agora já morou aqui no bairro, dizem que em uma casa que invadiu e depois teve que sair", disse um dos vizinhos.

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