Aves que ajudam na segurança do aeroporto de Viracopos são encontradas mortas

Fabiana Marchezi

Colaboração para o UOL, em Campinas (SP)

  • Divulgação / ABFPAR

    Gaviões e falcões treinados para reforçar o combate a acidentes aéreos apareceram mortos

    Gaviões e falcões treinados para reforçar o combate a acidentes aéreos apareceram mortos

A Polícia Civil de Campinas (a 93 quilômetros de São Paulo) investiga a morte de dois gaviões e dois falcões treinados para reforçar o combate a acidentes aéreos no Aeroporto Internacional de Viracopos. As aves de rapina, que espantavam outros pássaros da região do terminal desde 2010, foram encontradas mortas por esquartejamento neste fim de semana no poleiro onde ficavam.

Esse tipo de ave costuma ser treinado para afugentar outros pássaros, como urubus, que podem causar acidentes ao colidirem com os aviões. Segundo a assessoria de imprensa do aeroporto, a ausência temporária delas em nenhuma hipótese aumenta o risco de acidentes, uma vez que elas são um cuidado a mais adotado pelo terminal.

De acordo com o boletim de ocorrência, os pássaros foram encontrados com diversos cortes de facão, todos com os membros esquartejados e cabeças decepadas.

Divulgação / ABFPAR
Gaviões e falcões treinados para reforçar o combate a acidentes aéreos foram esquartejados

A responsabilidade pelas aves é de uma empresa terceirizada, que preferiu não ser identificada, mas um funcionário informou que as aves mortas devem ser substituídas o mais rápido possível, já que acidentes estão previstos no contrato.

A assessoria do aeroporto esclareceu que o local onde as aves foram encontradas não fica em área restrita do aeroporto. "Apesar de ser dentro do território do aeroporto, é uma área aberta, ou seja, não precisa passar por segurança do aeroporto para acessar este local", explicou.

Ainda segundo o BO, um dos sócios da empresa terceirizada constatou a morte ao ir alimentar as aves. "Cada ave fica em um poleiro específico para a espécie, localizado em área fechada com portão e cadeado", contou o funcionário à polícia.

Em nota, a concessionária Aeroportos Brasil Viracopos informou que vai colaborar, desde os esclarecimentos até a conclusão das investigações sobre o crime. O caso está sendo investigado como crime ambiental. Entretanto, a polícia não informou oficialmente as linhas de apuração.

Os corpos dos animais foram recolhidos para o devido descarte. Já foi feita perícia no local pela Polícia Civil, que não deu detalhes sobre as investigações.
De acordo com a ABFPAR (Associação Brasileira de Falcoeiros e Preservação de Aves de Rapina), a utilização da falcoaria nos aeroportos reduz em 60% a probabilidade de colisões entre pássaros e aeronaves. Ainda segundo a associação, aeroportos que ainda não adotaram a técnica registram uma média de 120 acidentes com pássaros por mês.

No Brasil, além de Viracopos, a prática já foi adotada nos aeroportos da Pampulha e Confins (Belo Horizonte), Galeão (Rio de Janeiro), Salgado Filho (Porto Alegre), Eurico de Aguiar Salles (Vitória), Lauro Carneiro de Loyola (Joinville) e Val-de-Cans/Júlio Cézar Ribeiro (Belém).

"O treinamento de uma ave de rapina dura em média 45 dias. Os animais treinados com técnicas de falcoaria vivem em média o dobro do que viveriam na vida selvagem, já que quando se machucam ou ficam doentes são tratados e os que estão na vida selvagem acabam sofrendo e morrendo", disse o presidente da associação, João Paulo Diogo Santos. A média de vida de um gavião é de 20 anos. Já o falcão chega a durar 15 anos.
 

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