Atlas da Violência: veja quais são 10 municípios mais violentos do país; oito estão no Nordeste

Do UOL, no Rio

  • Reprodução/UOL

    23.nov.2016 -- Policial Militar mostra cápsulas após tiroteio no Nordeste de Amaralina, em Salvador

    23.nov.2016 -- Policial Militar mostra cápsulas após tiroteio no Nordeste de Amaralina, em Salvador

Do ranking dos dez municípios mais violentos do país, oito estão situados na região Nordeste, segundo o Atlas da Violência 2017, divulgado nesta segunda-feira (5).

 
O estudo, que analisa os dados mais recentes do Ministério da Saúde, referentes ao ano de 2015, utiliza como critério a soma das taxas de homicídio e de mortes violentas com causa indeterminada (índice classificado pela sigla "MVCI"). São consideradas apenas as cidades que possuem população superior a 100 mil habitantes.

Apesar da predominância do Nordeste, o município que lidera este ranking é Altamira, no Pará. Em 2015, tinha pouco mais de 108 mil pessoas e uma taxa de homicídio somada com as MVCI calculada em 107 --quase dez pontos a mais do que Lauro de Freitas, na Bahia, que ficou na segunda colocação (97,7).

Veja a seguir o ranking das cidades mais violentas:

1º - Altamira (Pará), com taxa de 107 homicídios por 100 mil habitantes

2º - Lauro de Freitas (Bahia), taxa de 97,7

3º - Nossa Senhora do Socorro (Sergipe), com 96,4;

4º - São José de Ribamar (Maranhão), com 96,4;

5º - Simões Filho (Bahia), com 92,3;

6º - Maracanaú (Ceará), com 89,4;

7º - Teixeira de Freitas (Bahia), com 88,1;

8º - Piraquara (Paraná), com 87,1;

9º - Porto Seguro (Bahia), com 86,0;

10º - Cabo de Santo Agostinho (Pernambuco), com 85,3.

Altamira e a explosão da violência após Belo Monte

Nos anos 2000, em Altamira, cidade pacata no centro do Pará, havia paz às margens do rio Xingu. A rotina de calmaria, porém, foi terminando ao mesmo tempo em que era erguida a usina de Belo Monte. Desde o anúncio da obra, o município passou a viver uma explosão de violência que o fez ingressar na lista das dez cidades com maiores taxas de homicídios do país.

"Os resultados indicaram, a partir do início da construção da usina, um vigoroso crescimento da violência, que atinge a população nos cinco municípios diretamente afetados pelo projeto em dimensões proporcionalmente muito maiores do que acontece em outras sub-regiões do Estado do Pará", aponta o artigo "A Hidrelétrica de Belo Monte e Seus Efeitos na Segurança Pública", dos pesquisadores João Francisco Garcia Reis e Jaime Luiz Cunha de Souza Professor, da UFPA (Universidade Federal do Pará). 

"Tais municípios tiveram sua estrutura social, econômica e ambiental profundamente alterada com a chegada das empreiteiras encarregadas da construção e a migração de grandes contingentes de pessoas oriundas de todas as partes do Brasil", complementa.

Além de Altamira, a cidade de Piraquara, no Sul, destoava da tendência observada no ranking. O município paranaense tem a menor população (104.481 pessoas) entre os dez mais violentos.

 

Na lista das 30 cidades com a maior soma da taxa de homicídios e das mortes violentas sem causa determinada, segundo o Atlas da Violência, o Norte e o Nordeste do país possuíam 22 municípios neste ranking.

No estudo, os pesquisadores afirmam que a violência cresce à medida que "as transformações urbanas e sociais acontecem rapidamente e sem as devidas políticas públicas preventivas e de controle, não apenas no campo da segurança pública, mas também do ordenamento urbano e prevenção social". "Ou seja, a qualidade da política pública é um dos elementos cruciais que podem conduzir à diminuição das dinâmicas criminais."

Na outra esfera de análise, o Atlas da Violência elencou os 30 municípios que eram considerados, em 2015, os mais "pacíficos" do país --também considerando apenas aqueles com mais de cem mil habitantes. O destaque foi Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, com índice de 3,7 (taxa de homicídios somada com MVCI).

No geral, no ranking das 30 cidades com melhores resultados, a maioria estava no Sudeste (24 municípios, dos quais 19 em São Paulo).

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