Violência no Rio

Ministro da Defesa quer "golpear" de surpresa comando do crime no Rio

Giovani Lettiere

Colaboração para o UOL, no Rio

  • Giovani Lettieri/UOL

    27.jul.2017 - Jungmann participou de reunião no Comando Militar do Leste

    27.jul.2017 - Jungmann participou de reunião no Comando Militar do Leste

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse nesta quinta-feira (27) que o plano contra a violência no Rio de Janeiro contará com operações, cujo objetivo será "golpear" o crime organizado. Para isso, afirmou ele na sede do Comando Militar do Leste, região central da capital fluminense, lançará mão de efetivos da polícia em ações de inteligência. Segundo ele, o "efeito surpresa" é importante para o sucesso da estratégia.

Jungmann, que participou hoje da primeira reunião do Estado-Maior Conjunto para operações integradas no Rio, órgão de coordenação e planejamento criado para apoiar o Plano Nacional de Segurança definido pelo governo federal que atuará no Rio até o fim do próximo ano, falou sobre a estratégia a ser adotada.

"Vamos golpear o crime organizado, as operações não serão anunciadas, só quando forem deflagradas. O que vai presidir as operações é a inteligência. A palavra-chave é inteligência. Queremos chegar no comando do crime. O sucesso das Olimpíadas foi por conta do binômio integração e inteligência. Vamos trabalhar junto com centros de comando e controle, com a Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal, Marinha, Exército e Aeronáutica."

Tempos difíceis requerem medidas difíceis e extraordinárias. O Rio vive um momento difícil. Estamos trabalhando e pedindo um entendimento da população, mas não existem resultados milagrosos.

Raul Jungmann, ministro da Defesa

Para manter o elemento surpresa, chave na fase de inteligência das novas operações, Jungmann não quis dizer quando começam os trabalhos de combate ao crime organizado. "Muito em breve estaremos deflagrando as operações", limitou-se a dizer o ministro. Ele também não adiantou efetivo a ser empregado nas ações, custo, território e duração das operações. 

Ele falou também que uma GLO (Garantia da Lei e da Ordem) ainda será assinada pelo presidente Michel Temer (PMDB). "Não vamos realizar uma Garantia da Lei e da Ordem clássica. Vamos fazer uma operação inovadora, diferente das que foram feitas até aqui e que não atacou a raiz do problema. Queremos tirar a capacidade do crime organizado."

O ministro disse ainda que há recursos financeiros previstos para a construção de um novo presídio de segurança máxima para abrigar os chefões do crime organizado que pretende capturar nas novas operações conjuntas das Forças Armadas. "Temos dinheiro, mas o que tem que ser feito nos presídios é cortar as comunicações. Não dá para os chefões continuarem a comandar facções de dentro das prisões. Os presídios viraram home office do crime", comparou.

O ministro voltou a descartar a possibilidade de as Forças Armadas atuarem no patrulhamento das ruas do Rio. Segundo ele, desta vez, os militares apenas darão apoio a operações de inteligência das polícias Militar, Civil e Federal. Ele defendeu que patrulhamento "só inibe, não basta" para evitar a criminalidade.

O patrulhamento nas ruas não será ostensivo como no ano passado, na época da Olimpíada Rio-2016, comparou Jungmann. "Somente se for muito necessário será feita essa operação. Concordo com o senso popular de que a patrulha ostensiva inibe a criminalidade, mas isso não basta para atingir a capacidade do crime organizado. Temos que golpeá-lo. Quando tem o patrulhamento, o crime tira férias, mas volta depois", avaliou o ministro.

Segundo o ministro, o foco da operação será policial. "As Forças Armadas vão complementar, apoiar o trabalho das polícias. Não faremos mais ocupações de morros, como fizemos no Complexo da Maré durante um ano e meio ao custo de R$ 400 milhões, com esforço grande e que não resultou naquilo que queríamos já que o Estado não entrou com moradias, educação", esclareceu Jungmann.

Segundo ele, as novas ações terão desdobramentos sociais. "O Ministério do Desenvolvimento Social está junto agora", prometeu o ministro.

Jungmann pediu apoio da sociedade e de outras instituições, como Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), Procuradoria do Estado, o Ministério Público e até a Igreja Católica.

"Amanhã (sexta-feira, 28), vou começar o dia conversando com o Dom Orani Tempesta, depois a reunião é na Firjan, depois na Procuradoria. Precisamos nos dar as mãos. O flagelo da violência é nacional, mas o Rio tem a situação mais grave. São 800 comunidades vivendo sob o comando do crime organizado. É um desafio grande", discursou o ministro da Defesa.

Ele espera ainda apoio do Ministério Público Estadual, Federal e do Judiciário. "Não dá para esperar 15 dias por mandados", pediu Jungmann.

O ministro também citou o plano de recuperação fiscal do Estado do Rio junto à União, que está sendo finalizado. "Esse plano também faz parte do processo de ajuda do governo federal ao Rio", disse o ministro da Defesa.

"A situação do Rio é crítica. Será um trabalho de anos. Iniciamos um trabalho de curto, médio e longo prazo. Estaremos trabalhando até 31 de dezembro de 2018. Espero ainda que o novo presidente mantenha esse trabalho", pediu Jungmann.

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