Homem que ofereceu banana a atendente de companhia aérea em MG é solto

Carlos Eduardo Cherem

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte

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Genesco Alves da Silva, 55, preso nessa sexta-feira (4), no Aeroporto Internacional Tancredo Neves (Confins), na região metropolitana de Belo Horizonte, acusado de injúria racial por oferecer uma banana a uma atendente da Azul Linhas Aéreas após uma discussão no check-in da companhia aérea, foi liberado no início da noite de ontem, cerca de 12 horas após sua detenção.

Ele, que cursa medicina na Bolívia, de acordo com informações prestadas à PC (Polícia Civil), na delegacia de Vespasiano, também na região metropolitana da capital mineira, pagou R$ 3 mil de fiança e foi liberado. As investigações do caso continuam em andamento.

Silva chegou a dizer para a polícia que era advogado, informação negada pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). A ordem afirmou que ele chegou a trabalhar como estagiário em um escritório de advocacia, mas teve o registro cancelado. 

De acordo com a PC, Silva foi enquadrado por injúria racial e não por racismo, que é crime inafiançável. No primeiro caso, a dignidade da pessoa é ofendida com o uso de elementos raciais. O crime de racismo, porém, envolve ações por conta do preconceito racial, como negar inscrição de uma pessoa negra em uma instituição ou um estabelecimento se recusar a atender cliente por causa da cor da pele.

O episódio aconteceu durante check-in com a atendente da Azul Linhas Aéreas, Aline Tatiane Campos, 35. No depoimento prestado à polícia, Campos disse que o cliente a provocou dizendo: "você prefere uma maçã? Não, né? Banana mesmo".

Silva chegou a embarcar no voo para Corumbá (MS), mas foi obrigado a descer do avião. Ele negou que sua atitude tivesse conotação racial e disse que ofereceu a banana à atendente como ofereceria qualquer fruta.

O UOL não localizou Genesco neste sábado (5) para comentar o caso. 

Irritação e sarcasmo

De acordo com a PC, Silva teria chegado ao terminal por volta de 7h30 para embarcar no voo da companhia rumo a Cuiabá. Um problema no despacho de sua bagagem, porém,  o teria irritado e motivado a ação contra a atendente.

"Ele chegou ao atendimento com muito sarcasmo e eu tentei tratá-lo da melhor forma possível. Só que ele continuou com sarcasmo e ironia, principalmente na hora que a gente foi fazer uma tratativa relativa a cobrança de bagagem", afirmou Campos em seu depoimento.

De acordo com ela, um problema no sistema de cadastro da companhia não permitiu, inicialmente, verificar que Silva era "cliente vip", que não precisaria pagar pelo despacho da bagagem. A atendente afirmou que o problema, entretanto, foi solucionado rapidamente.

"Devido a isso, não sei se ele sentiu-se ofendido. Acredito que não, pois retratamos, informando que ele era um cliente vip. Despachei então a bagagem e fiz o atendimento completo", afirmou Campos.

Ela disse que, mesmo com a situação resolvida, o cliente retornou ao balcão da companhia, quando teria feito a agressão verbal de cunho racial.

"Ele retornou, falando comigo que eu tinha esquecido alguma coisa. Informei a ele que não tinha esquecido nada. Foi nesse momento que ele tirou a banana da sacola e me entregou. E usou de mais sarcasmo falando: "você prefere uma maçã? Não, né? Banana mesmo".

"Fiquei em choque. Ele foi para o saguão e embarcou", disse a atendente.

Após isso, ela informou o fato ao gerente da Azul, que tomou a providência de acionar a PF (Polícia Federal). Silva estava no interior da aeronave quando o comandante solicitou pelo serviço de som que se dirigisse ao portão de embarque, onde dois agentes o aguardavam. O caso foi encaminhado à PC, por ter ocorrido fora de área de atuação da PF.

Em nota, a Azul Linhas Aéreas informou que está prestando assistência à atendente e que não comentaria o caso, por enquanto, para não atrapalhar o inquérito policial.

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