Prefeitura do Rio acionará MP contra edifício acusado de instalar "chuveiro antimendigo"

Paula Bianchi

Do UOL, no Rio

  • Reprodução/Facebook

    Prédio em Copacabana é acusado de instalar "chuveiro" em marquise

    Prédio em Copacabana é acusado de instalar "chuveiro" em marquise

A Secretaria de Desenvolvimento Social da Prefeitura do Rio de Janeiro informou que vai entrar com uma representação no Ministério Público contra o edifício do cinema Roxy, em Copacabana, que instalou chuveiros "antimendigos" em sua marquise.

De acordo com a assessoria da secretaria, é "um absurdo" que o edifício se aproprie do espaço público e instale chuveiros contra a população em situação de rua. 

A polêmica começou na última sexta-feira (4) quando a página no Facebook da Sociedade Amigos de Copacabana publicou um vídeo mostrando a instalação dos chuveiros e a suposta razão: "afastar moradores de rua". Muitas denúncias, inclusive de moradores do prédio, chegaram à prefeitura, que decidiu tomar providências.

Nesta segunda (7), o Instituto Rio Patrimônio Histórico fez uma vistoria no local e informou que a instalação da canaleta não necessita de autorização por não se tratar de uma obra que afete a fachada do edifício, tombado.

De acordo com a secretaria, a legislação proíbe a remoção forçada de moradores de rua. "Eles são encaminhados para o abrigo quando manifestam vontade de ir. Não existe obrigação legal de recolhimento compulsório e a sociedade não pode tomar as decisões de repressão à população de rua porque ela é vítima. Quase todas as pessoas ali são trabalhadores vivendo em situação de vulnerabilidade."

Segundo a prefeitura, o número de moradores de rua triplicou nos últimos três anos: passou de 5 mil para 15 mil. "A secretaria entende o incômodo da sociedade, mas existe uma realidade que precisa ser enfrentada que não se resolve dando banho em pessoas em situação de dificuldade."

Procurado pela reportagem, o Edifício Roxy respondeu por meio de seu porteiro-chefe, Carlos Silva, que também é morador do prédio. Ele negou que a instalação dos chuveiros tenha por objetivo espantar mendigos. "Nós vamos colocar uns vasos de planta. Os chuveiros foram colocados ali para regar. A previsão [para instalar os vasos] eu não sei. Estamos vendo o modelo, se não eles [moradores de rua] podem afastá-los."

Embora negue as acusações, Silva admitiu o incômodo causado pelos mendigos. "Quando tinha 18 moradores de rua lá, ninguém se manifestava. Eu também moro no segundo andar, de frente. Por várias vezes eu acordava às três da manhã com o barulho deles consumindo droga, brigando e abordando os moradores para pedir dinheiro e comida."

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