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Segunda mulher é atacada em ônibus na avenida Paulista em 24 horas

Gustavo Gerchmann/Raw Image/Estadão Conteúdo
Imagem: Gustavo Gerchmann/Raw Image/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

30/08/2017 14h30Atualizada em 30/08/2017 22h27

Um homem foi preso em flagrante nesta quarta-feira (30) por atentado ao pudor porque teria passado a mão nos seios de uma passageira de ônibus do transporte coletivo sem o consentimento dela. Segundo a Polícia Militar, o caso foi registrado às 13h23 e, às 14h15, ainda estava em atendimento.

A vítima e o preso foram para o 78º DP (Jardins), onde serão ouvidos. Eles estavam um ônibus que fazia a linha Terminal Lapa-Vila Mariana, no sentido Paraíso da avenida Paulista, região central de São Paulo.

Em nota divulgada à noite, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que o homem, de 48 anos, foi detido por "importunação ofensiva ao pudor" e encaminhado ao 78º DP. Após assinar um Termo Circunstanciado, ele foi liberado.

Também em nota, a SPTrans disse repudiar "mais uma ocorrência de assédio sexual registrada em um ônibus do sistema municipal de transportes". A empresa reforçou a necessidade de as vítimas denunciarem práticas criminosas e informou que todos os operadores do sistema de transporte estão orientados a prestar a elas todo o apoio necessário, "conduzindo-as até a delegacia de polícia mais próxima, onde a vítima pode registrar boletim de ocorrência e receber amparo das autoridades policiais, que tomarão as providências cabíveis".

O caso acontece pouco mais de 24 horas depois de um homem ter sido preso também na avenida Paulista depois de ejacular em uma passageira de ônibus. Ele foi indiciado pelo crime de estupro. O crime aconteceu no sentido Consolação da avenida, perto da alameda Joaquim Eugênio de Lima, por volta de 12h30. O cobrador prestou auxílio à vítima e também ao agressor, ao evitar que ele fosse linchado por populares.

Suspeito de estupro na Paulista tem 17 acusações de abuso sexual

SBT Online

Campanha contra o assédio foi lançada ontem

Também ontem, o Tribunal de Justiça de São Paulo anunciou uma parceria com empresas públicas e particulares de transporte coletivo para tentar frear os casos de assédio nesse meio--que têm crescido, segundo a própria Secretaria de Segurança Pública, em relação ao ano passado.

A partir de outubro, homens presos em flagrante por situações de assédio no transporte coletivo passarão por uma espécie de curso de reciclagem com questões como machismo e masculinidade. A proposta é que a iniciativa, oferecida pelo Tribunal de Justiça paulista, sirva como alternativa de pena a crimes de menor potencial ofensivo –que abrangem, por exemplo, atos como ‘encoxadas’ ou masturbação dentro do transporte de passageiros.

A proposta é que o curso, combinado ou não com outras alternativas de pena nesses crimes –como pagamento de multa e prestação de serviços à comunidade--, diminua a reincidência dos casos. As aulas, no entanto, não são obrigatórias: o agressor precisa aceitá-lo como medida alternativa.

"É um curso de reflexão. Será a oportunidade desse homem que praticou o assédio repensar atos, aspectos de masculinidade e machismo. Repensar também que, se o transporte é público, o corpo da mulher não é público –então, ele não tem o direito de tocar, encostar, ‘encoxar’ ou se masturbar próximo ou ao lado dessa mulher”, afirmou a coordenadora do curso, a juíza da Vara de Violência Doméstica do Butantã (zona oeste), Tatiane Moreira Lima.

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