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Comerciante é agredido por PMs após ser confundido com ambulante em SP

31.ago.2017 - Comerciante Valter Ziviani, agredido por PMs no Brás - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
31.ago.2017 - Família quer denunciar PMs envolvidos na Corregedoria da corporação
Imagem: Arquivo Pessoal

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

31/08/2017 17h28Atualizada em 01/09/2017 10h48

Um comerciante de 61 anos dono de uma loja de roupas no Brás, região central de São Paulo, teve parte do braço trincado e o pulso aberto depois de ter sido agredido por policiais militares ao ser confundido com vendedor ambulante por volta das 6h40 desta quinta-feira (31).

31.ago.2017 - Comerciante Valter Ziviani, agredido por PMs no Brás - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
31.ago.2017 - Valter Ziviani teve o braço trincado e o pulso aberto, diz família
Imagem: Arquivo pessoal

A filha, a neta e a nora do comerciante Valter Ziviani, que pedem para não ser identificadas, afirmaram que o idoso tentava explicar aos PMs que não era ambulante, mas que não foi ouvido e agredido.

Segundo a filha, o comerciante tem uma loja dentro de um pequeno shopping na rua da Juta. Parte das roupas que Ziviani vende estava exposta na calçada, quando os PMs passaram. O idoso colocava os itens do comércio dentro dos boxes quando os PMs tentaram tomar as mercadorias, segundo relato da filha.

"Ele dizia que tinha loja e estava protegendo as mercadorias, quando os policiais o empurraram e o agrediram", afirmou a filha. "Ainda por cima, levaram parte das roupas. Eles erraram. Foi um engano. E abusaram do poder, porque agrediram e machucaram um idoso", disse a filha.

No vídeo em que a família registra a agressão, o comerciante alerta os policiais: "A loja é minha. Vocês estão batendo em um idoso". 

Quatro horas para registrar o B.O.

Ao tentar registrar o boletim de ocorrência no 12º DP [Distrito Policial, no Pari], o comerciante foi informado que a polícia civil estava sem sistema e não poderia atendê-lo. "Pediram para a gente ir embora e voltar em até seis meses para fazer a denúncia", afirmou a nora.

A família chegou com Ziviani à delegacia por volta das 11h, depois do hospital. O comerciante preferiu esperar o sistema voltar e decidiu não sair do DP. Por volta das 15h30, ele foi chamado para registrar a ocorrência.

Além do B.O. contra os policiais, a família quer fazer uma denúncia formal na Corregedoria da PM (Polícia Militar), que investiga eventuais condutas abusivas.

Ao todo, cinco membros da família, entre filhos, neta e nora estão no apoio do comerciante - desde o acompanhamento ao médico até a delegacia. Segundo a nora, o diagnóstico final emitido por médicos do Hospital do Tatuapé, onde o idoso foi atendido, apontou para parte do braço trincado e para o pulso aberto depois da agressão.

Procurada, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) informou, em nota, que "a Corregedoria da Polícia Militar informa que, até a noite desta quinta-feira (31), não foi comunicada oficialmente sobre irregularidades cometidas por policiais militares durante o combate ao comércio ambulante irregular na região do Brás. No entanto, com as imagens apresentadas pela reportagem, o caso será apurado e o comerciante convidado a registrar queixa formal contra os policiais. A Polícia Civil também esclarece que o caso foi registrado no 12° DP como abuso de autoridade e é investigado pela delegacia."

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