Violência no Rio

Família confirma coronhada em mulher, e polícia apura se agressão levou à morte

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

  • Arquivo Pessoal

    Polícia quer saber se coronhada de fuzil levou Marisa Nóbrega à morte

    Polícia quer saber se coronhada de fuzil levou Marisa Nóbrega à morte

A Polícia Civil investiga se a pancada que a diarista Marisa de Carvalho Nóbrega, moradora da Cidade de Deus, na zona oeste do Rio de Janeiro, teria recebido de um agente do Bope (Batalhão de Operações Especiais) foi responsável por sua morte. Parentes de Marisa confirmaram em depoimento à polícia que a diarista levou uma coronhada de fuzil na cabeça durante discussão com policiais no final de semana. A Corregedoria da Polícia Militar também abriu nesta quarta (11) investigação sobre o caso.

Nesta terça (10), pouco antes de Marisa ser enterrada, o delegado responsável pela investigação, Rodolfo Waldeck, determinou que o corpo fosse levado novamente para o IML (Instituto Médico Legal) para realização de novos exames.

"A gente aguarda as conclusões do laudo cadavérico. Ele vai dizer qual linha de investigação devemos seguir. A princípio pode ter ocorrido uma morte natural, o que não significa que a agressão não tenha ocorrido. Estamos investigando", disse o delegado.

Erro em atestado de óbito

Marisa morreu no Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, zona norte carioca, na última segunda-feira (9), dois dias após a suposta agressão. O atestado da unidade indica morte por hipertensão craniana.

No entanto, nesta quarta, a direção do hospital informou que o documento foi emitido de forma equivocada. A unidade de saúde não informou qual seria a falha na emissão do documento. Os novos exames feitos no IML devem agora indicar a causa da morte.

De acordo a Secretaria Municipal de Saúde, a vítima deu entrada no hospital em estado grave, com um trauma e hemorragia intracraniana.

De acordo com denúncias da família, a discussão com policiais do Bope começou quando o filho de 17 anos de Marisa foi abordado na favela pelos policiais na companhia da irmã e da namorada. Os agentes, segundo as testemunhas, queriam que o jovem admitisse ser traficante, já que estava bem vestido.

O trio teria sido agredido fisicamente e verbalmente até que Marisa foi chamada ao local. Ela teria questionado os policiais, o que resultou em uma nova discussão e na coronhada na cabeça.

De acordo com os parentes, a mulher começou a reclamar de suor intenso e mal-estar. Ela desmaiou e foi levada, ainda no sábado (7), para o hospital. Marisa chegou a ficar sob os cuidados da equipe de neurocirurgia, mas, na manhã de segunda-feira (9), morreu.

Aneurisma

Nas redes sociais, moradores na Cidade de Deus dizem que Marisa convivia com um aneurisma cerebral --dilatação anormal de vasos sanguíneos, o que pode ter resultado na morte.

Neurologistas ouvidos pelo UOL explicaram que uma pancada na cabeça pode não determinar o óbito de um paciente com aneurisma. No entanto, o estresse causado pela situação é suficiente para levar ao rompimento de um vaso sanguíneo através de um pico de pressão.

A diarista deverá ser enterrada nesta quinta-feira (12), no Cemitério do Pechincha, na zona oeste. Ela deixou cinco filhos. Entre eles, uma menina de nove anos.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos