Violência no Rio

Menina de 12 anos é baleada na Rocinha; novo tiroteio assusta moradores nesta quinta

Hanrrikson de Andrade e Luís Adorno

Do UOL, no Rio e em São Paulo

  • Uanderson Fernandes/Agência O Globo

    26.10.2017 - Parentes na porta do hospital Miguel Couto para onde foi levada a menina

    26.10.2017 - Parentes na porta do hospital Miguel Couto para onde foi levada a menina

Uma adolescente de 12 anos foi vítima de bala perdida quando deixava uma festa evangélica na Rocinha, comunidade da zona sul do Rio de Janeiro, na noite de quarta-feira (25). Segundo a polícia, a jovem foi atingida logo após deixar uma igreja situada na rua 2, no alto da favela. No começo da tarde desta quinta-feira (26), um intenso tiroteio assustou moradores da favela.

A troca de tiros ocorreu em uma localidade conhecida como Valão, de acordo com o OTT (Onde Tem Tiroteio), página que faz um mapeamento não oficial dos confrontos armados na cidade. Os disparos foram ouvidos na região do principal acesso à comunidade em horário de grande movimento, quando estudantes saíam de escolas. A Polícia Militar ainda não se posicionou a respeito.

O caso da adolescente baleada ocorreu dois dias depois de uma turista espanhola, de 67 anos, ter sido morta após um tenente da PM (Polícia Militar) disparar contra o carro em que ela estava, na Rocinha --a versão dos policiais é de que o carro furou uma blitz, mas o motorista disse não ter percebido qualquer ordem de parada.

A jovem caminhava com a família quando foi atingida. Ainda não se sabe de onde e de quem partiu o disparo que a atingiu. Levada ao Hospital Miguel Couto, também na zona sul, ela foi submetida a uma cirurgia e tem o estado de saúde estável.

Segundo a PM, a corporação foi acionada para a rua 2, dentro da favela, pela população, que informava que um mercado havia sido assaltado por criminosos armados.

"Em seguida, os agentes foram informados que uma menina de 12 anos havia sido atingida por tiro, quando estava indo para sua residência, na própria comunidade. Ela foi socorrida para UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Rocinha e, posteriormente, para o Hospital Miguel Couto", informou a PM, em nota.

A ocorrência foi registrada na 11ª DP (Delegacia de Polícia), na Rocinha. Segundo os familiares da menina, um dos funcionários do mercado que foi roubado tentou avisar um PM da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) sobre o crime. Os criminosos, ao perceberem, teriam tentado atingi-lo e alvejaram a garota.

Crise de segurança na Rocinha

Desde setembro, a Rocinha teve intensificada a violência. Isso porque houve uma disputa territorial entre os traficantes Nem e Rogério 157. A partir dessa disputa, a crise da segurança se espalhou por ao menos outras seis favelas do Rio.

No fim do mês passado, cerca de 950 homens do Exército foram acionados e enviados para cercar a Rocinha. Depois de uma semana, o Exército deixou o local. Segundo o ministro da defesa, Raul Jungmann, a Rocinha estava "estabilizada". Além disso, afirmou o ministro, havia a informação de que Rogério 157 tinha fugido para outra favela. "O criminoso que gerou todo este conflito não estava mais na Rocinha. Não estando ali, não tinha mais sentido ter todo esse efetivo (militar) parado. Se o crime se desloca, temos que nos deslocar também", afirmou.

De lá para cá, os registros de tiroteios continuaram.

 

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