Ministério Público quer denunciar cacique indígena por participação em organização criminosa no RS

Luciano Nagel

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

  • iStock

O Ministério Público afirmou que vai denunciar o vereador pelo PSD e cacique indígena Valdonês Joaquim por participação em organização criminosa, coação a testemunhas e participação em assaltos a banco. O líder indígena foi detido na Câmara de Vereadores de Tenente Portela (RS) na segunda-feira e está cumprindo prisão temporária.

O advogado de defesa de Joaquim, Vanderlei Pompeo de Matos, disse que sua prisão foi "uma medida além do razoável", mas afirmou que só daria mais detalhes sobre o caso na próxima semana.

Ele disse que seu cliente é cacique de uma aldeia com mais de 10 mil habitantes e foi o vereador mais votado na cidade. O cacique reside na reserva indígena Guarita.

A prisão de Joaquim está relacionada a dois assaltos a agências bancárias ocorridos em 6 de fevereiro deste ano. Joaquim e seu pai, um ex-cacique, são suspeitos de terem dado apoio indireto às ações criminosas. O pai dele está foragido.

Na época, clientes e funcionários dos bancos Banrisul e Sicredi foram obrigados a fazer um escudo humano na frente das agências. Os crimes ocorreram simultaneamente.

Durante as ações, os bandidos ainda fizeram duas pessoas como reféns. Elas foram obrigadas e entrar no porta-malas de um automóvel, que seria utilizado para a fuga, mas em seguida foram liberadas. Um carro da Polícia Militar também foi incendiado pelos criminosos.

Em março, a polícia e o Ministério Público fizeram uma operação que resultou na prisão de 21 pessoas, algumas delas indígenas.

"Durante a investigação do Ministério Público, se percebeu indícios fortes da participação do cacique no apoio à quadrilha que estava assaltando os bancos, deixando o bando se refugiar dentro da reserva indígena, dando apoio logístico para guardar armamentos, carros, etc", disse o promotor Luciano Vaccaro.

"Esses indícios foram confirmados por meio de testemunhas e esta foi uma prisão temporária, de cinco dias, renováveis por mais cinco, não descartando a possibilidade de uma representação, por parte do Ministério Público, do pedido de prisão preventiva", disse. 

Segundo a delegada Cristiane de Moura e Silva, titular da Delegacia de Polícia de Tenente Portela, na manhã de terça-feira (07), agentes policiais cumpriram três mandados de busca e apreensão nas duas residências da Reserva Indígena do Guarita, onde vivem o cacique e seu pai. 

A reportagem tentou contato com o presidente da Câmara de Vereadores de Tenente Portela, Luis Claudir dos Santos, mas ele não atendeu aos chamados. 

 

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