Com policiais parados, Réveillon no RN terá segurança de forças federais e PMs em curso

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

  • Vitorino Junior/Photopress/Estadão Conteúdo

    Forças Armadas fazem patrulhamento das ruas de Natal

    Forças Armadas fazem patrulhamento das ruas de Natal

Com a maioria dos policiais militares se negando a deixar os quartéis para patrulhamento, o governo do Rio Grande do Norte vai usar 270 cabos que começaram na sexta-feira (29) o curso de formação de sargentos para garantir a segurança nos principais pontos de festa do Réveillon. Além disso, o Estado conta com homens das Forças Armadas e Nacional de Segurança Pública.

O Rio Grande do Norte vive uma crise de segurança pública. Os policiais militares entraram neste domingo (1º) no 13º dia de aquartelamento para reivindicar melhores condições de trabalho e pagamento de salários atrasados. Desde lá, o Estado tem vivido um rotina de assaltos, mortes e arrastões.  

Segundo o comandante da PM (Polícia Militar) do Rio Grande do Norte, coronel José Osmar Maciel de Oliveira, o efetivo será usado em vários locais onde há rotineira concentração de pessoas e realização de festas no Estado. "Nós estamos com essa tropa de 270 homens distribuído em pólos como Caicó, Natal, Mossoró, São Miguel do Gostoso, Nova Cruz. Estamos contando com esse efetivo", afirmou.

Além dos policiais, o patrulhamento das ruas para evitar novos arrombamentos e roubos será feito por homens da 190 homens da Força Nacional de Segurança Pública e 2.800 das Forças Armadas -- esses últimos que chegaram nos dias de sexta e sábado. Esses homens, porém, devem ficar espalhados para substituir o efetivo que garantiria a segurança normal e atenderia as ocorrências e chamados da população.

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, chegou em Natal na manhã do sábado e informou que decidiu passar a virada do ano em Natal para acompanhar o trabalho da tropa. De acordo com o ministro, as Forças armadas ficarão no Estado por ao menos por 15 dias.

Com o aquartelamento dos policiais, a Secretaria e Segurança Pública e Defesa Social adiou o início da tradicional operação Verão, que visa dar segurança aos turistas que lotam as praias potiguares no final de dezembro e janeiro.

"Nos outros anos, sem crise, a gente já iniciava essa operação a partir do dia 30, envolvendo o Réveillon. Mas hoje estamos numa situação diferente, e optamos por garantir primeiro o Réveillon. Pedimos reforço também da Força Nacional e já conseguimos renovar por mais seis meses", explicou a secretária Sheila Freitas.

Segundo a secretária, nem todos os policiais militares e civis aderiram à paralisação, mas ela não soube informar qual efetivo estava indo às ruas.

Viagens suspensas

Mesmo com a promessa de reforço, o clima de medo afasta turistas. Na noite dessa sexta-feira (29), a jornalista Shirley Nascimento, 39, foi até a rodoviária de Maceió cancelar a passagem que tinha marcada para Natal, onde passaria Réveillon com a família.

Carlos Madeiro/UOL
A jornalista Shirley Nascimento cancelou a passagem que tinha marcada de Maceió para Natal
"Meu tio me ligou e disse que achava melhor que não fosse. Tive que vir cancelar duas passagens, a primeira de Maceió ao Recife, e a outra do Recife até Natal", explicou, citando que iria ficar até terça-feira (2) em Nísia Floresta, na Grande Natal.

"Lá já estava complicado antes da greve. Fui visitar meu avô no hospital há dois meses, e quando voltei meu carro estava arrombada. O sítio onde meus avós moravam foi roubado duas vezes. Se estava assim com polícia, imagina agora?", questionou.

Em Parnamirim, também na Grande Natal, a prefeitura decidiu cancelar os shows e a tradicional queima de fogos na praia de Pirangi.

Segundo a seccional potiguar da ABIH (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis), a expectativa é que quase todos os hotéis estejam lotados para a virada do ano nos principais polos turísticos, como Natal e a praia de Pipa, em Tibau do Sul.

Até a quinta-feira (28), a entidade informou que três pacotes foram cancelados por visitantes para a virada do ano.

Pedido de recursos

O governo do Rio Grande do Norte afirma que enfrenta uma grave crise financeira e por isso atrasa salários de policiais e servidores. O Estado pediu ajuda ao governo federal para pagar débitos com servidores. O valor pedido para aliviar os cofres e pagar o salário de novembro dos servidores que ganham acima de R$ 2.000 e o 13º salário do funcionalismo foi de R$ 600 milhões.

Na segunda-feira (25), o Ministério da Fazenda informou que, com base em decisão do TCU (Tribunal de Contas da União), negou o repasse que tinha sido acordado entre os governos.

Na terça-feira (26), o governo do Rio Grande do Norte protocolou no Ministério da Fazenda um Recurso Hierárquico Próprio --que é dirigido diretamente ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. O governo defende a edição de uma MP (Medida Provisória) que prestaria auxílio financeiro ao Estado.

O documento pede que o governo federal "reforme a decisão, afastando todo e qualquer impedimento ao trâmite administrativo da Medida Provisória a ser editada em socorro ao Rio Grande do Norte". Ainda não há posição oficial sobre esse recurso.

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