Após rebelião com 9 mortos, armas são achadas enterradas em presídio de GO

Bernardo Barbosa

Do UOL, em São Paulo

  • Divulgação - 1º.jan.2018/Sinsep-GO

    Fumaça é vista após rebelião de presos em Aparecida de Goiânia

    Fumaça é vista após rebelião de presos em Aparecida de Goiânia

As três armas de fogo encontradas após a rebelião que deixou nove detentos mortos em Aparecida de Goiânia (GO), nesta segunda-feira (1º), estavam enterradas no pátio da prisão, segundo informou terça-feira (2) o delegado Eduardo Rodovalho, que investiga o caso.

Segundo Rodovalho, as armas foram achadas na ala C da Colônia Agroindustrial do Regime Semiaberto do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, onde estavam os detentos que, de acordo com o delegado, iniciaram a rebelião.

"Eles quebraram a parede e invadiram as demais alas", explicou.

De acordo com o delegado, as armas de fogo que estavam enterradas não foram usadas na rebelião, tendo sido encontradas apenas depois da confusão. Durante o ocorrido, os detentos usaram armas brancas, como facas fabricadas de forma artesanal dentro do próprio presídio.

Cármen Lúcia determina inspeção

A Seap-GO (Superintendência Estadual de Administração Penitenciária de Goiás) abriu sindicância administrativa para apurar como as armas --duas pistolas e um revólver-- entraram na colônia penal. O prazo de conclusão do processo é de 30 dias.

Nesta terça, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) exigiu que a Justiça de Goiás realize uma inspeção no presídio e apresente um relatório em até 48 horas sobre as condições dos detidos e da cadeia. A ordem foi enviada pela presidente do CNJ e do STF (Supremo Tribunal Federal), ministra Cármen Lúcia. 

O presidente do Sinsep-GO (Sindicato dos Servidores do Sistema de Execução Penal de Goiás), Maxsuell Neves, disse ao UOL na segunda-feira que não havia agentes penitenciários suficientes para controlar a colônia e revistar os presos.

"São 1.200 presos e cinco agentes penitenciários no plantão. Não tem como fazer o controle", disse.

De acordo com Neves, ao menos 400 detentos da colônia têm direito ao regime semiaberto, quando o preso passa o dia fora da cadeia, mas precisa voltar à noite. O fluxo de entrada e saída de internos, aliado à falta de efetivo para revista, poderia ter possibilitado a entrada de armas de fogo.

Presos baleados

A rebelião também deixou 14 feridos, sendo que cinco continuavam internados no Hospital de Urgências de Aparecida de Goiânia na tarde desta terça-feira. Dois deles foram baleados, informou a direção do hospital.

O delegado Rodovalho disse que ainda não se sabe de que armas partiram os disparos que atingiram os detentos. Segundo ele, a Polícia Civil ainda não recebeu as balas extraídas dos detentos baleados. Depois disso, o material é encaminhado para perícia pela Polícia Técnico-Científica.

"É possível que tenham sido feitos no momento da contenção [da rebelião]", disse.

A Polícia Civil goiana também investiga se a rebelião tem relação com um contexto mais amplo de conflito entre facções criminosas com atuação nacional ou se teve como motivação brigas de grupos locais.

"Se isso [conflito entre facções] seria o estopim para a ação criminosa, a gente não pode afirmar categoricamente", declarou.

O delegado informou que o inquérito tem 30 dias, em teoria, para ser concluído, mas a polícia deve pedir a prorrogação deste prazo. Segundo Rodovalho, essa extensão deverá ser necessária devido à dificuldade de identificar as vítimas --cujos corpos foram carbonizados-- e ao grande número de pessoas que deverão prestar depoimento. 

Quase 100 foragidos

No começo da tarde desta terça, 99 detentos ainda estavam foragidos após a rebelião e outros 143 haviam sido recapturados, segundo a Seap-GO.

Com isso, entre foragidos e recapturados, o total de presos que fugiram durante a rebelião chega a 242, cifra bem maior do que a informada pelo governo goiano nas primeiras horas após a rebelião. Na noite passada, os números oficiais davam conta da fuga de 106 presos, sendo que 29 haviam sido recapturados e 77 estavam foragidos até pouco antes das 20h de segunda-feira. 

De acordo com o governo, a rebelião começou por volta das 14h de segunda-feira, quando presos da ala C da colônia invadiram as alas A, B e D. Estas alas abrigam detentos do chamado grupo dos "bloqueados" --os que cumprem pena em regime fechado dentro da colônia. A polícia conseguiu controlar a situação cerca de duas horas depois.

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