Idoso morre após aparelho respiratório parar de funcionar por falta de energia no Rio

Fabiana Marchezi

Colaboração para o UOL

  • Arquivo Pessoal

    Residência de João Lopes Pina, 72, ficou sem energia elétrica após temporal no Rio

    Residência de João Lopes Pina, 72, ficou sem energia elétrica após temporal no Rio

Um idoso morreu na última sexta-feira (16) depois de ficar cerca de 30 horas sem um aparelho de respiração mecânica por falta de energia elétrica. O problema ocorreu devido ao temporal que afetou o Rio de Janeiro no Rio de Janeiro, na última semana. João Lopes Pina, 72, morava em Bonsucesso, na zona Norte da cidade.

Pina estava acamado em casa havia 20 dias e não podia se movimentar direito. Segundo familiares, ele tinha enfisema pulmonar crônico e precisava do nebulizador - que só funciona com energia elétrica - para viver. A luz na casa da família só voltou nesta terça-feira (20), uma semana depois do temporal. Ele morreu na manhã da última sexta-feira.

Os familiares do idoso acusam a distribuidora de energia Light e a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) de negligência. "Nós fizemos tudo, até ventilador de pilha nós compramos. Nós ligamos várias vezes para pedir ajuda tanto para a Light quanto para a Comlurb, uma jogava a responsabilidade para outra. E numa dessa, eu perdi meu tio", disse a sobrinha do idoso, Carla Cristina Ferreira, ao UOL.

A dona de casa contou que o aposentado começou a passar mal já na madrugada da última quinta-feira (15), pouco tempo depois que a energia acabou em razão da queda de duas árvores sobre a fiação na rua do prédio onde a família mora.

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"Assim que ele começou a passar mal, nós começamos a buscar ajuda, mas nada funcionava direito, estava tudo um caos. Nossos telefones não funcionavam direito, os telefones de emergência também não. E a situação foi agravando. Até que ele não aguentou", lamentou.

A família informou que, no desespero, chegou a parar vários carros da Light e da Comlurb que passavam pela rua, mas um jogava a responsabilidade para o outro. "A Light falava que a Comlurb precisava remover as árvores. A Comlurb falava que não havia necessidade de remover e que a luz podia ser religada. E nisso, ninguém fazia nada. Foi muito desespero", desabafou.

Segundo o filho do idoso, João Vitor do Nascimento Lopes, depois de muita insistência, a Comlurb removeu as árvores, mas mesmo assim, a Light não religou a energia.

"Era um fio que precisava ser ligado. Meu pai morreu por causa de um fio. Nós paramos pelo menos três carros, explicamos a situação e nenhum deles se compadeceu. Hoje, quando vieram, não levou nem 20 minutos para religarem o fio e a energia voltar. Mas meu pai não volta mais. Ele morreu pedindo por ar", disse à reportagem.

O corpo do aposentado foi sepultado no sábado (17), no Cemitério São João Batista, em Botafogo. A família informou que vai processar a Light por negligência e danos morais. O UOL procurou a Comlurb para comentar o caso, mas não teve retorno até o fechamento da reportagem.

OUTRO LADO

Ao UOL, a Light informou, em nota, que "às 19h11 do dia 16 de fevereiro, a cliente Carla Costa, sobrinha de João Lopes, fez o primeiro contato para informar que estava sem energia e que, naquele momento, seu tio já tinha falecido". 

Segundo a concessionária, durante toda a ligação telefônica, ela deixa claro na conversa com o atendente do call center que a Comlurb estava fazendo naquele mesmo instante a poda da árvore que impedia a religação da energia. Na ligação, o atendente responde à cliente que a Light enviaria equipe às 23h". 

A empresa informou ainda que após a remoção dos galhos pela Comlurb, a Light normalizou o circuito elétrico às 23h42 do mesmo dia. "O prédio do cliente constava em nosso sistema como restabelecido".

A Light informou também que existe um serviço de prioridade para clientes que dependem de equipamento vital. "O cliente João Lopes não estava incluído neste cadastro. O pedido de inclusão deve ser feito pelo cliente ou pela família".

A concessionária recomenda que em situações como essa, ou que haja necessidade de garantia de continuidade no fornecimento e essencialidade para vida, o cliente procure um local onde tenha energia.

"É assim, por exemplo, nos hospitais, que, inclusive por lei, já são obrigados a manter geradores para suprir energia contínua. Nenhuma distribuidora de energia pode garantir total continuidade, segundo a regulamentação da própria Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)", informou o comunicado.

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