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Operação contra maior quadrilha de ex-policiais do Rio prende 14 pessoas na zona oeste

Homem preso durante operação contra milícia em Santa Cruz - José Lucena/Futura Press/Estadão Conteúdo
Homem preso durante operação contra milícia em Santa Cruz Imagem: José Lucena/Futura Press/Estadão Conteúdo

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

25/04/2018 12h55Atualizada em 25/04/2018 17h26

A operação da Polícia Civil na zona oeste do Rio de Janeiro prendeu 14 pessoas na manhã desta quarta-feira (25). A ação visa a desarticulação do braço financeiro da milícia Liga da Justiça – principal grupo paramilitar que atua na região. De acordo com a polícia, o grupo atua em vários setores como transporte ilegal de vans, venda de gás e combustíveis, retirada ilegal de barro e comércio ilegal de mercadorias falsificadas.

Mais de 100 agentes da Polícia Civil cumprem 18 mandados de prisão. Um dos principais alvos é Wellington da Silva Braga, conhecido como Ecko, apontado como o chefe da milícia.

A Liga da Justiça é uma das maiores quadrilhas em atuação no estado do Rio, formada por ex-policiais, ex-militares e criminosos comuns. A milícia, que controla várias favelas da zona oeste e da Baixada Fluminense, foi alvo de uma operação no início do mês que resultou na prisão de 159 pessoas em uma festa na zona oeste. Na ocasião, Ecko fugiu após a chegada dos policiais.

Na casa do irmão dele, identificado como Wallace, a polícia encontrou nesta quarta um sistema de monitoramento que registra imagens de toda a favela do Aço, em Santa Cruz. Os irmãos não foram encontrados no local. “Provavelmente ele monitorou nossa chegada na região e conseguiu fugir”, disse o delegado envolvido na operação Fabio Barucke.

Na ação também foi preso em flagrante, Diego da Silva Marques Conceição, 31. Ele foi flagrado em uma casa na comunidade Cesarão, também na zona oeste, com cerca de cinco quilos de cocaína e crack. 

Além de cumprir os mandados de prisão, os policiais apreenderam 25 vans que eram controladas pelos milicianos. Os veículos irregulares foram levados para um depósito público. Os policiais de Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM) também apreenderam três toneladas de produtos piratas no comércio irregular de Santa Cruz. 

Ao todo, equipes de seis delegacias especializadas participaram da ação: Draco (Delegacia de Repressão a Ações Criminosas, Roubos e Furtos de Automóveis), Serviços Delegados, Proteção ao Meio Ambiente, Repressão a Crimes contra a Propriedade Imaterial, Proteção à Criança e ao Adolescente e Core (Coordenadoria de Recursos Especiais).

Além disso, órgãos governamentais responsáveis pela fiscalização de atividades econômicas também auxiliam a Polícia Civil, como a ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) e o Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro.

Presos em festa da milícia

Uma ação do Ministério Público Estadual pediu nesta terça (24) a soltura de 138 dos 159 detidos, sob a alegação de não haver ligação com o crime.

O pedido foi feito pela 20ª Promotoria de Justiça de Investigação Pena. Familiares dos detidos têm realizado diversos protestos contra as prisões, alegando que a grande maioria tinha emprego fixo e não participava de nenhum grupo miliciano, mas estaria no sítio apenas por causa de uma festa com grupos de samba e pagode.

Até o momento apenas uma pessoa foi solta.

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