Greve faz até caminhoneiros ficarem sem passagem na rodoviária do Tietê, em SP

Janaina Garcia

Do UOL, em São Paulo

  • Janaina Garcia/UOL

    Os caminhoneiros Valter (à esq.) e Sérgio que, com a greve iam voltar para MG de ônibus, mas tiveram a viagem cancelada

    Os caminhoneiros Valter (à esq.) e Sérgio que, com a greve iam voltar para MG de ônibus, mas tiveram a viagem cancelada

Entre os passageiros surpreendidos nesta sexta (25) pelo cancelamento de viagens no Terminal Rodoviário Tietê (zona norte de São Paulo), estava um grupo de amigos caminhoneiros que tentava seguir viagem para Poços de Caldas, Minas Gerais.

Apesar de os problemas de desabastecimento alegado pelas empresas de ônibus ter como causa justamente a greve da categoria, os caminhoneiros se disseram favoráveis à paralisação. Eles pedem a redução no valor do diesel.

Segundo eles, essa seria a única maneira de governo adotar medidas mais efetivas que garantissem a valorização da atividade.

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Eles contaram à reportagem que voltariam para suas casas na cidade mineira com os caminhões da empresa para a qual trabalham, em São Paulo, carregados de mercadorias. Com a greve, tiveram que deixar os veículos no pátio de uma filial da empresa, no Parque Novo Mundo (zona norte da capital), e pegar ônibus no Tietê. De acordo com eles, a empresa bancou os R$ 75 de passagem para quem precisou voltar a Minas.

"Tentamos comprar passagens em várias companhias, mas todas tinham cancelado os ônibus da manhã para Poços de Caldas. Mesmo assim, tenho orgulho da minha profissão e acho que meus colegas estão certos: tem que parar, se não, este governo não vai resolver a nossa situação", declarou Valter Aparecido Venâncio, 39, caminhoneiro há 12 anos.

"Amo o que faço, mas, ultimamente, só o amor não tem pago as minhas contas. As coisas sobem, o combustível não para de aumentar, mas valor do frete continua o mesmo", complementou.

Também caminhoneiro, há 13 anos, Sérgio Ricardo Bellomo, 49, admitiu que a greve trouxe problemas ao cotidiano das pessoas. "É constrangedor chegar aqui para comprar passagem e saber que não tem ônibus conta dessa paralisação. No fim, é claro que a gente acaba sendo prejudicado", pontuou.

Por outro lado, o caminhoneiro observou que "é muito difícil confiar neste governo". Ele se referiu à reunião ocorrida ontem em Brasília entre representantes dos caminhoneiros e do governo federal na qual a União propôs 15 dias de trégua na greve em troca de atendimento de parte das reivindicações.

"Confiamos nas promessas do governo outras vezes e elas não foram cumpridas. Esperamos que coloquem a mão na consciência desta vez e firmem um acordo mais justo. Tenho três filhos e é claro que quero um país melhor para eles", defendeu Bellomo.

"Suspender a paralisação agora por 15 dias é desmobilizar a categoria se essas novas promessas não foram cumpridas depois", analisou.

No início da tarde, o presidente Michel Temer (MDB) afirmou, em um pronunciamento em Brasília, que o governo usará as Forças Armadas para desobstruir estradas e rodovias bloqueadas pelo movimento de paralisação dos caminhoneiros.

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