Empresas de ônibus cancelam viagens com saída do Terminal Tietê, em SP

Janaina Garcia

Do UOL, em São Paulo

  • Janaina Garcia/UOL

    Grupo de seis amigos que voltaria para Belém tive a viagem cancelada

    Grupo de seis amigos que voltaria para Belém tive a viagem cancelada

Passageiros do maior terminal rodoviário da América Latina, o Tietê, na zona norte de São Paulo, foram surpreendidos nesta sexta-feira (25) com o cancelamento ou o adiamento de viagens em função da greve dos caminhoneiros. Aos clientes, as companhias alegaram falta de combustíveis para as viagens de longa distância.

Uma das primeiras empresas cancelar as viagens foi a viação Itapemirim, que cancelou todas as viagens para as regiões Norte e Nordeste do país com saída do terminal do Tietê.

Nos guichês da companhia, a informação é que passagens com data de hoje estão sendo remarcadas para a partir da semana que vem. Do Tietê, pela empresa, saem ônibus para cidades como Campina Grande, Juazeiro do Norte, Canindé, Fortaleza e Belém.

Empresas que operam também para cidades do Sudeste, como como a Kaissara, cancelaram viagens para o Rio de Janeiro que ocorreriam na parte da manhã e parte das viagens da tarde.

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No guichê, uma das funcionárias informou que estava confirmado apenas o ônibus das 13h. Outros sete carros da tarde e noite haviam sido cancelados, e passagens vendidas com antecedência teriam que ser remarcadas.

Passagens para cidades fora do Nordeste, como Rio de Janeiro, Curitiba e Belo Horizonte continuam sendo vendidas.

Em nota, a concessionária Socicam, que opera os terminais Barra Funda, Tietê e Jabaquara informou que, até a manhã desta sexta-feira, o Tietê havia registrado uma redução de 20% no número de partidas.

O índice chegava a 40% na Barra Funda, e a 48% no Jabaquara, em comparação com dias normais. A Socicam não informou, por outro lado, quantas viagens haviam sido canceladas nesses terminais.

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Passageiros sofrem com cancelamentos

Um grupo de seis amigos que havia chegado das férias em Florianópolis havia comprado ontem, na capital catarinense, passagens da Itapemirim para retornarem a Belém. Hoje de manhã, no guichê, foram informados que a viagem só poderia ser feita semana que vem, e que, caso quisessem os R$ 450 da passagem de volta, teriam que esperar um mês.

"Buscamos um posto da ANTT [Agência Nacional de Transportes Terrestres] aqui no Tietê, mas não havia ninguém lá. Fomos então até uma base da Polícia Militar, e um policial, comovido com a situação, nos acompanhou até o guichê para que cobrássemos nossos direitos. A empresa teria que nos dar hotel e alimentação até que a viagem de volta pudesse ser feita. Só assim nos devolveram o nosso dinheiro" afirmou a operadora de caixa Mariana Cristina Xavier de Souza, 37.

Também no grupo, o servente de pedreiro Israel Silva, 26, reclamou do tratamento dado pela empresa. "Chegamos às 6h, e a funcionária nos disse apenas que não tinha mais ônibus por falta de combustível. Simples assim", declarou.

O grupo de amigos conseguiu comprar passagem em outra empresa para hoje no meio da tarde.

Sorte diferente da deles teve o aposentado José Luís Silva, 71. Ele contou que estava em São Paulo a cinco meses para o tratamento preventivo contra um câncer de próstata. Ele retornaria hoje para Paragominas, no Pará, mas foi informado no guichê da mesma companhia que só conseguiria retornar a partir da próxima terça-feira (29).

"Quero voltar para minha casinha, mas estou conformado que consegui passagem pelo menos para terça-feira. Para mim, o mais importante é meu tratamento ter dado certo", disse.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Viação Itapemirim não se manifestou até esta publicação.

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