Taxa de homicídios de negros cresce 23% em 10 anos; mortes de brancos caem

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

  • Gero/Estadão Conteúdo

    Familiares de vítimas de chacina em Osasco (SP) fazem ato na av. Paulista em agosto de 2016

    Familiares de vítimas de chacina em Osasco (SP) fazem ato na av. Paulista em agosto de 2016

A violência letal intencional no Brasil cresce contra negros (pretos e pardos) e regride contra não negros (brancos, amarelos e indígenas), segundo revelam os dados do Atlas da Violência 2018, que traz dados do Ministério da Saúde e foi divulgado nesta terça-feira (5) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Entre 2006 e 2016, último ano com dados disponíveis para o levantamento, a taxa de homicídios de indivíduos não negros diminuiu 6,8%. No mesmo período, a taxa entre a população negra saltou 23,1% e foi a maior registrada desde 2006 --ano inicial da série histórica. No país, somando todas as raças, a taxa de homicídios cresceu 13,9% no mesmo período.

O estudo revela que, em 2016, a população negra registrou uma taxa de homicídios de 40,2 mortes por 100 mil habitantes, o mesmo indicador para brancos, amarelos e indígenas foi de 16. Considerando a população como um todo, o país atingiu o recorde em 2016 de 30,3 homicídios a cada 100 mil pessoas.

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De acordo com o levantamento, 71,5% das pessoas que foram assassinadas no país no 2016 eram pretas ou pardas. As maiores taxas de homicídios de negros estão em Sergipe (79 por 100 mil habitantes) e no Rio Grande do Norte (70,5 habitantes por 100 mil).

Entretanto, segundo o estudo, o caso que mais chama a atenção é o de Alagoas, já que o estado teve a terceira maior taxa de homicídios de negros (69,7 por 100 mil habitantes) e a menor taxa de homicídios de não negros do Brasil (4,1). 

"Em uma aproximação possível, é como se os não negros alagoanos vivessem nos Estados Unidos, que em 2016 registrou uma taxa de 5,3 homicídios para cada 100 mil habitantes, e os negros alagoanos vivessem em El Salvador, cuja taxa de homicídios alcançou 60,1 por 100 mil habitantes em 2017", explica o documento.

Jovem negro é a principal vítima de homicídios

Segundo o Atlas, a desigualdade racial no Brasil "se expressa de modo cristalino no que se refere à violência letal e às políticas de segurança". 

"Os negros, especialmente os homens jovens negros, são o perfil mais frequente do homicídio no Brasil, sendo muito mais vulneráveis à violência do que os jovens não negros. Por sua vez, os negros são também as principais vítimas da ação letal das polícias e o perfil predominante da população prisional do Brasil", afirma o estudo. 

Os pesquisadores ainda apontam que é preciso políticas específicas para tentar frear o número de mortes entre a população negra.

"Para que possamos reduzir a violência letal no país, é necessário que esses dados sejam levados em consideração e alvo de profunda reflexão. É com base em evidências como essas que políticas eficientes de prevenção da violência devem ser desenhadas e focalizadas, garantindo o efetivo direito à vida e à segurança da população negra no Brasil", sugere o Atlas. 

Taxas de homicídios de negros*:

  • 2006 - 32,7
  • 2007 - 32,4
  • 2008 -  33,7
  • 2009 - 34,3
  • 2010 - 36,5
  • 2011 - 35,1
  • 2012 -  36,7
  • 2013 -  36,7
  • 2014 - 38,5
  • 2015 - 37,7
  • 2016 - 40,2

*Por 100 mil habitantes

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