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Governo do Rio investiga denúncia de festa em cadeia com cerveja e prostitutas

Fachada da Casa do Albergado Crispim Ventino em Benfica, zona norte do Rio - Alexandre Durão/Agência O Globo
Fachada da Casa do Albergado Crispim Ventino em Benfica, zona norte do Rio Imagem: Alexandre Durão/Agência O Globo

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

05/07/2018 14h15

A Seap (Secretaria de Estado de Administração Penitenciária) do Rio de Janeiro abriu uma sindicância para apurar denúncia de que agentes penitenciários fizeram uma festa com cerveja e prostitutas na Casa do Albergado Crispim Ventino, em Benfica, na zona norte da capital.

A denúncia foi publicada no blog "Tribuna Penitenciária", que pertence ao sindicato da categoria, e reproduzida pelo jornal "O Dia". A festa teria ocorrido há duas semanas, em um sábado. A unidade abriga condenados que cumprem regime aberto e presos por falta de pagamento de pensão alimentícia.

Segundo o blog, uma equipe de plantão do presídio "totalmente entediada" decidiu realizar "uma festa rave, regada a baldes de cerveja e garotas de programa". O texto diz ainda que “as meninas motivadas pela felicidade que tomava o evento dançavam em frente ao isolamento, levando os presos à loucura”.

De acordo ainda com a denúncia, os agentes penitenciários ofereceram comida e bebidas às presas da unidade superior ao pátio onde acontecia a festa. O blog não publicou fotos ou vídeos sobre a suposta festa. Também não foi informado quantas mulheres participaram do evento.

Segundo o sindicato, a Seap foi comunicada sobre as irregularidades na manhã de terça-feira (3). No entanto, a secretaria afirmou que a informação foi recebida ontem.

Procurada pelo UOL, a Seap afirmou que, além de investigar o caso, vai apurar a conduta do servidor responsável pelas publicações no blog "Tribuna Penitenciária". O site foi criticado pela pasta por publicar uma imagem retirada de um site pornô para ilustrar a denúncia.

“A Corregedoria já está apurando a conduta do servidor, que é responsável pelas publicações no blog, sobre a veiculação indevida de imagem conferida à Instituição. Além disso, foi determinada a instauração imediata de sindicância e apuração, através de inspeção na unidade”, disse a Seap, por meio de nota.

O Sindaperj (Sindicato dos Agentes Penitenciários do Rio) considerou que o comunicado da Seap fere os princípios democráticos, além de representar ameaça ao trabalho do sindicato. “Emitiram uma nota que fere os princípios básicos da Constituição brasileira, destoando do regime democrático e republicano que vivemos após anos de luta contra a ditadura e a censura ao direito da livre expressão do pensamento”, publicou o blog.

Presídio vizinho já teve "motel" e "cinema"

A Casa do Albergado Crispim Ventino é vizinha à Cadeia Pública José Frederico Marques, onde estiveram presos da Operação Lava Jato, entre eles, o ex-governador do Rio Sérgio Cabral e os deputados da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio Janeiro) Edson Albertassi, Jorge Picciani (presidente afastado da Casa) e Paulo Melo (todos do MDB).

Em fevereiro, uma inspeção do Ministério Público do Rio descobriu na Frederico Marques seis quartos, como os de um motel. As fotos, feitas durante a inspeção mostram aparelhos de televisão, banheiros com piso de porcelanato, paredes pintadas --uma delas com um coração-- e luzes vermelhas no teto. As suítes foram encontradas no quarto andar da unidade.

Suíte para visitas íntimas encontrada na cadeia de Benfica, no Rio - Divulgação/MP - Divulgação/MP
Suíte para visitas íntimas da cadeia José Frederico Marques
Imagem: Divulgação/MP

Em 2017, os promotores já haviam achado no mesmo presídio equipamentos para a instalação de uma sala de cinema para os presos.

O local teria uma televisão de 65 polegadas, home theater, aparelho de DVD e 160 filmes Blue Ray. Na ocasião, a Seap informou que os equipamentos teriam sido doados por igrejas evangélicas. No entanto, o Ministério Público (MP-RJ), informou que o termo de doação era falso e foi redigido de dentro da penitenciária. Após a repercussão do caso, os equipamentos foram retirados da unidade e doados para um orfanato.

O MP-RJ denunciou Cabral e outras quatro pessoas na investigação sobre a instalação da sala de cinema. Na denúncia, a Promotoria pediu o afastamento do então diretor da cadeia Fábio Ferraz Sodré. Cabral e Sodré foram denunciados por falsidade material e ideológica.

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