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Maior milícia do Rio faturava R$ 1,5 milhão/mês com venda de cigarros e monitorava delegacia, diz polícia

Polícia aprendeu 500 caixas de cigarros em março; a carga foi avaliada em R$ 500 mil - Divulgação/Polícia Civil
Polícia aprendeu 500 caixas de cigarros em março; a carga foi avaliada em R$ 500 mil Imagem: Divulgação/Polícia Civil

Marcela Lemos

Colaboração do UOL, no Rio

05/07/2018 17h55

A Polícia Civil do Rio de Janeiro faz uma operação desde a manhã desta quinta-feira (5) contra a Liga da Justiça, a maior milícia do estado, acusada de faturar R$ 1,5 milhão por mês com a venda de cigarros contrabandeados do Paraguai --essa é segunda maior fonte de renda do grupo paramilitar.

Segundo a polícia, comerciantes da zona oeste carioca e da Baixada Fluminense são obrigados pelo grupo criminoso a vender os lotes de cigarros da marca Gift, garantindo lucro aos milicianos e os tornando um dos maiores fregueses do fumo paraguaio.

"O comércio de cigarro vem ganhando vulto, o que levou empresas regularizadas a perder cerca de 50% a 60% do mercado por conta do contrabando. Descobrimos e identificamos o principal fornecedor da milícia no estado e que tinha uma tabacaria exclusivamente para o fornecimento de cigarros importados", informou Willian Pena, delegado da 37ª Delegacia de Polícia (Ilha do Governador) que esteve à frente da ação.

Até a tarde de hoje, 12 pessoas haviam sido presas. Entre elas, um policial lotado na UPP Fazendinha (no Complexo do Alemão), três agentes penitenciários e um ex-policial militar. Eles são suspeitos de integrar o grupo chefiado por Wellington da Silva Braga, o Ecko, que continua foragido.

Ao todo, 22 mandados de prisão foram expedidos. Foram cumpridos 60 mandados de busca e apreensão.

As investigações da Operação Lawless (“sem lei”, em inglês) começaram há oito meses e apontaram ainda que a entrada e a saída de agentes da 35º DP (Campo Grande) eram monitoradas por milicianos com o objetivo de evitar a repressão à atividade econômica irregular. 

"É preciso ressaltar que mais importante que as prisões são as apreensões de documentos que serão analisados posteriormente. Agora, em uma segunda fase, vamos percorrer todo o caminho desse dinheiro [da venda dos cigarros]", disse Pena.

Os presos vão responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro e receptação.

Quem são os presos?

O ex-PM preso na manhã de hoje é Ronaldo Santana da Silva, apontado como o maior distribuidor de cigarros da zona oeste. Ele conseguiu exclusividade na venda dos maços de cigarro para a milícia de Ecko. Para isso, duas tabacarias eram usadas de fachada para o negócio.

Outro integrante da organização criminosa preso é o policial militar Carlos Miranda Rangel, lotado na UPP Fazendinha. Ele é suspeito de atuar na invasão de terras para o grupo.

O UOL tenta contato com as defesas dos suspeitos detidos na operação.

A quadrilha de Ecko

A milícia é acusada de controlar o crime nos bairros de Campo Grande e Santa Cruz (zona oeste) e cidades da Baixada Fluminense como Nova Iguaçu, Seropédica e Itaguaí.

No dia 7 de abril, o miliciano fugiu após a chegada da polícia em uma festa num sítio em Campo Grande. Na ocasião, 159 pessoas foram presas e quatro homens morreram no confronto. Posteriormente, a Justiça mandou soltar 139 pessoas que tinham sido detidas no evento por falta de provas.

Além da venda do cigarro, os paramilitares garantem recursos através do controle de sinal de TV a cabo clandestino e internet, transporte alternativo, segurança privada e grilagem de terras.

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