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Em hospital de BH, parentes de desaparecidos buscam notícias e passam mal

Marcos Silveira, auxiliar administrativo do hospital João XXIII - Carlos Eduardo Cherem/UOL
Marcos Silveira, auxiliar administrativo do hospital João XXIII Imagem: Carlos Eduardo Cherem/UOL

Carlos Eduardo Cherem

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte

26/01/2019 19h51Atualizada em 27/01/2019 03h24

Marcos Silveira, auxiliar administrativo no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte (MG) deixou o seu plantão no hospital às 13h de sexta-feira (25), mas não voltou para sua casa em Brumadinho, na região metropolitana. Há mais de 24 horas, ele está na porta do hospital para dar informações a conhecidos sobre pessoas internadas na unidade de saúde. O hospital recebe vítimas resgatadas do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. 

"O povo lá [em Brumadinho] é muito unido. Todo mundo tem parentes ou amigos que estão desaparecidos. Ficando aqui [na porta do hospital], posso ajudar a avisar as pessoas, dizer se alguém deu entrada no hospital", disse Silveira. 

Neste sábado (26), a direção do hospital informou que duas pessoas passaram mal ao serem informadas sobre o desaparecimento de parentes e foram internadas pela manhã. Uma delas, uma mulher de 65 anos, mãe de uma das vítimas, teve alta no início da noite, informa o hospital.

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A técnica em enfermagem do João XXIII Denise Rodrigues está trabalhando no plantão neste sábado (26) e recebeu ligações de moradores de Brumadinho que têm desaparecidos na família.

"Está tudo muito confuso. Recebi um telefonema de uma colega pra saber notícias de um amigo do irmão dela, que tinha dado entrada no hospital", disse. "O rapaz era funcionário da Vale e eu expliquei que nenhum empregado da Vale tinha dado entrada no João XXIII", afirmou.

O pedreiro Lucimar Prates Xavier passou o dia na porta do hospital acompanhando o estado de saúde da sobrinha, Paloma Prates Cunha, vítima do desastre, que está internada na unidade. Ele também busca notícias sobre a irmã de Paloma, Pâmela, 14, além de outro sobrinho, Robson, 30, e de seu filho Heitor, 1 ano. Eles estão desaparecidos.

"Foi terrível. Não sobrou nada no Córrego do Feijão. O alarme não 'alarmou' e o pessoal não conseguiu fugir. O Robson, a Paloma e o Heitor estão sumidos dentro da terra", disse o pedreiro. Ele afirma que tinha muitos parentes na comunidade atingida pelo rompimento da barragem.

Perto do pedreiro, o motorista Rafael de Oliveira, também morador de Brumadinho, caminha de um lado para outro na porta do hospital. Ele aguarda notícias de dois amigos, Ronaldo e Guilherme, que trabalhavam como motoristas em uma empresa terceirizada da Vale e estão desaparecidos

 "O alarme não tocou. Se tivesse tocado, o pessoal tinha fugido. A lama cobriu tudo e matou todo mundo", diz Oliveira.

 O vendedor João Carlos Damasceno Jorge, que é de Brumadinho, mas mora em Belo Horizonte, diz que aguarda notícias na porta do hospital a pedido de uma família de amigos. "Estou vigiando para saber notícias do Jonas, um amigo de infância", disse. "Ele trabalhava na Vale e a família não teve condições de vir para cá, então me pediram", disse. 

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