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Fundo internacional quer investir em Brumadinho, diz prefeito

Luciana Amaral

Do UOL, em Brumadinho (MG)

07/02/2019 17h33Atualizada em 07/02/2019 18h12

O município mineiro de Brumadinho foi procurado por um fundo internacional que se disse disposto a fazer investimentos financeiros na cidade, afirmou nesta quinta-feira (7) o prefeito de Brumadinho, Avimar Melo de Barcelos (PV).

Segundo o prefeito, o fundo tem origem canadense e seria composto por 60% de fundo perdido e 40% de recursos da mineradora Vale, responsável pela barragem que se rompeu no local matando, pelo menos, 150 pessoas. Até o momento, 182 estão desaparecidas e 112, desabrigadas.

"Estávamos reunidos agora com um fundo internacional que tem interesse de vir investir no município desde que tenha um apoio financeiro da Vale também", informou.

Ele não soube especificar os nomes dos representantes do grupo principal que estaria interessado em investir em Brumadinho, mas negou que, se algum acordo for fechado, a situação se assemelhará à da Fundação Renova, em Mariana (MG).

No caso, as responsáveis também pelo estouro de uma barragem de rejeitos, em 2015, - a mineradora Samarco, formada pela Vale e BH Billinton - criaram a Renova com o objetivo de reconstruir toda a região afetada e apoiar as famílias atingidas. No entanto, até hoje, nenhuma comunidade foi reconstruída e nenhuma indenização foi paga.

"Nem me fale em Fundação Renova. Não podemos nem ouvir isso em Brumadinho. Lá em Mariana não receberam nada até hoje. O dinheiro que vai parece que volta. Não seria uma Fundação Renova 2 aí, de forma nenhuma. Seriam respeitados os projetos do município e o Ministério Público estaria no meio também", afirmou.

Avimar Barcelos disse que analisará a proposta junto ao Ministério Público de Minas Gerais e ao Judiciário do estado. Ele estima que serão necessários R$ 150 milhões para retirar toda a lama de rejeitos vazada e reconstruir a infraestrutura destruída.

Questionado se a prefeitura conta com a lista da população atingida - uma exigência declarada pela Vale para pagar por medidas emergenciais para moradores do bairro Parque da Cachoeira -, Barcelos explicou que, como a secretária de Ação Social morreu na tragédia, a administração precisou delegar a função a outros funcionários e, por isso, está levando um tempo maior. Ele disse, porém, que a Secretaria de Agricultura já fez o cadastro dos agricultores prejudicados.

Na entrevista coletiva, o prefeito distribuiu o plano de segurança elaborado pela Vale para uma então eventual emergência na barragem rompida. A aprovação do plano é de responsabilidade da ANM (Agência Nacional de Mineração), informou. A Defesa Civil municipal deu o aval, mas, nesta segunda, o prefeito voltou a dizer que não conta com funcionários capacitados o suficiente para analisar a questão.

"O que a gente recebe, simplesmente, é um plano para a gente ter", falou, acrescentando não ter autonomia para barrar projetos.

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