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Barney, cão que ajudou em resgates de Brumadinho, é cremado em SC

Bombeiros de Santa Catarina se despedem de Barney - Divulgação/Corpo de Bombeiros de SC
Bombeiros de Santa Catarina se despedem de Barney Imagem: Divulgação/Corpo de Bombeiros de SC

Pedro Sciola

Colaboração para o UOL, em São Paulo

06/05/2019 18h08

O cão Barney, do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, recebeu uma cerimônia de despedida e foi cremado na manhã de hoje, em São José, na Grande Florianópolis. Conhecido por suas atuações nos resgates das vítimas de Brumadinho, o cachorro-bombeiro da raça labrador morreu em operação na semana passada.

Marcado por forte emoção, o ato foi aberto ao público e aconteceu às 11h, no bairro Praia Comprida. Ao som de sirenes ligadas, o rito teve um minuto de silêncio e batida de continência dos membros da corporação, que proferiram algumas palavras antes de levar o corpo do animal ao crematório.

As cinzas de Barney foram colocadas em uma urna, que ficará com o soldado bombeiro Luciano Rangel, profissional que formava binômio com Barney.

"O Luciano está muito abalado. Ele tem toda uma carreira com o cão, que inclusive ficava na casa dele. A corporação está dando apoio psicológico, mas depois que ele estiver melhor, a tendência é que ele tenha um novo cão, que deve vir dos Estados Unidos, de uma árvore genealógica boa", informou o tenente Ian Triska, em entrevista ao UOL.

A cerimônia também contou com o prestígio de outros cinco cães de buscas, três deles aposentados e dois na ativa. O labrador Ice, avô de Barney, esteve presente.

O labrador Ice, avô de Barney, foi à cerimônia de cremação - Divulgação/Bombeiros de Santa Catarina
O labrador Ice, avô de Barney, foi à cerimônia de cremação
Imagem: Divulgação/Bombeiros de Santa Catarina

Buscas por corpo de Barney teve drone

Barney morreu na sexta-feira (3) enquanto participava de buscas por uma vítima desaparecida em um rio no município de Içara, também em Santa Catarina.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, ao farejar um possível cadáver, o cachorro pulou na área para indicar a localização do corpo, submergiu e nunca mais voltou.

"No momento da busca, o cão costuma ficar no bote, ele não nada. Quando ele sente o odor do cadáver, ele late para indicar onde está o corpo. Mas, nesta busca, ele latiu, se jogou na água para querer mostrar, mas não voltou", disse Triska.

Bombeiros de SC se despedem do cão Barney - Divulgação/Corpo de Bombeiros de SC
Bombeiros de SC se despedem do cão Barney
Imagem: Divulgação/Corpo de Bombeiros de SC

Como a água do rio estava demasiadamente poluída, os bombeiros não conseguiram encontrar o animal de imediato e precisaram abrir uma força-tarefa para procurar o corpo de Barney.

Depois de dois dias utilizando botes, retroescavadeira para retirar os objetos do rio e até mesmo um drone para mapear o local, os bombeiros localizaram o cachorro-bombeiro no domingo (5), por volta das 13h.

O corpo saiu da cidade de Içara, no sul do Estado, e foi transportado para São José.

Barney teria mais alguns anos até aposentadoria

Barney tinha três anos de idade e poderia continuar exercendo sua função dentro do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Cataria por, no mínimo, mais quatro anos.

Ele foi o cachorro que mais tempo ajudou nos resgates das vítimas de Brumadinho, permanecendo 30 dias na cidade mineira.

De acordo com o tenente Triska, os cachorros costumam se aposentar por volta dos sete ou oito anos.

"Em Santa Catarina, os cães ficam com o binômio, não no quartel. Ficam na casa do bombeiro, e a gente os aposenta com sete ou oito anos. Os cães aposentados atuam nos treinamentos de novos cachorros, fazem visitas APAEs e também trabalham com cinoterapia [método que utiliza cães como coterapeutas em sessões de terapia]", disse.

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