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Filho que confessou assassinato de pastor está muito abatido, diz defesa

Reprodução/Facebook
Imagem: Reprodução/Facebook

Marina Lang

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

21/06/2019 14h31

A nova advogada de Flávio dos Santos Rodrigues, 38, que confessou ter disparado seis tiros contra o pastor evangélico Anderson do Carmo, 42, no domingo (16), afirmou que seu cliente está "muito abatido" após ter admitido a execução do crime.

"Não conversamos sobre o fato em si", disse Alexandra Menezes que esteve na delegacia de homicídios de São Gonçalo e Niterói na tarde de hoje. "Mas ele está abatido com a situação. Muito abatido", definiu a advogada, que não comentou sobre a participação de Flávio no assassinato do pastor, pois não teve acesso ao inquérito.

Filho biológico da deputada federal Flordelis (PSD-RJ) e enteado de Anderson, Flávio confessou ser o autor do crime em depoimento à polícia, de acordo com informações da delegada Bárbara Lomba, responsável pela investigação. Na manhã de hoje, a delegada informou que o celular de Flávio está desaparecido, assim como o de Anderson.

Ele está preso desde o início da semana porque tinha um mandado de prisão por violência doméstica em aberto e, por isso, foi preso no enterro do pastor. Ontem, a Justiça do Rio de Janeiro expediu mandados de prisão temporária contra ele e Lucas dos Santos, irmão de Flávio, que também está preso. Lucas responde por um ato infracional análogo ao crime de tráfico de drogas, que teria cometido quando ainda era menor de idade.

Após o anúncio da confissão de Flávio, a advogada Luciene Diniz deixou a defesa dele. "Eu assumi o caso pensando que era alguém de fora [que havia cometido o assassinato], mas depois da confissão eu deixei o caso", afirmou Luciene, que assessora a congregação evangélica de Flordelis há mais de dez anos.

Polícia achou arma do crime no quarto de suspeito

Na terça (18), a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão na igreja e na residência do casal, onde o assassinato ocorreu.

Bárbara Lomba, delegada que cuida do caso, informou que uma arma foi localizada no quarto de Flávio. A policial também confirmou que havia uma primeira indicação de que arma foi usada no crime. Um perito da Polícia Civil confirmou ao UOL que a arma passou por perícia preliminar e foi usada no crime.

A arma de calibre 9 mm ainda está na delegacia e será posteriormente periciada pelo Instituto Carlos Éboli para confronto balístico --o teste consiste em confrontar as ranhuras dos estojos das balas, que são uma espécie de impressão digital da arma, com as ranhuras das balas que atingiram o corpo do pastor, que foi vítima de 30 perfurações.

O crime ocorreu quando Anderson e Flordelis voltavam de uma confraternização. Segundo a deputada contou à polícia, depois que chegaram em casa, o marido voltou à garagem porque teria esquecido algo dentro do carro. Nesse momento, a família ouviu o som dos disparos e desceu correndo. Anderson chegou a ser levado ao Hospital Niterói D'Or, onde morreu. Nada foi roubado.

Laudo do IML (Instituto Médico Legal) revelou que o corpo do pastor apresentava mais de 30 perfurações; nove delas na região da virilha e da coxa. Oito disparos foram feitos contra o peito e um tiro a curta distância foi disparado na cabeça --o que, segundo a polícia, indica que o criminoso atirou apenas com a intenção de matar.

Errata: o texto foi atualizado
A matéria informou incorretamente que Flávio é filho biológico de Anderson. Na verdade, ele é enteado. A informação foi corrigida.

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