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Filha única, universitária morta conciliava duas faculdades; ex é suspeito

Luiza Nascimento Braga teve corpo encontrado em apartamento do ex-namorado - Reprodução/Facebook
Luiza Nascimento Braga teve corpo encontrado em apartamento do ex-namorado Imagem: Reprodução/Facebook

Pauline de Almeida

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

24/06/2019 19h14

Cheia de vida, entusiasmo e causas. É assim que amigos e familiares vão lembrar da universitária Luiza Nascimento Braga, 25 anos, encontrada morta no último sábado (24), em um apartamento no bairro do Anil, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro.

O corpo estava na casa do ex-namorado da jovem, identificado como Bruno Ferreira Correa, 37, apontado pela Polícia Civil como principal suspeito do crime. Os pais decidiram não fazer um velório e o corpo da universitária foi sepultado no início da tarde de hoje, no cemitério de Inhaúma, na zona norte do Rio.

O crime pegou a família de surpresa e deixou Marli e Luiz Braga em choque, sem a filha única. A pessoas próximas, os pais dizem que sabiam que Bruno era ciumento, mas nunca imaginavam que seria capaz de algo violento.

"Viviam super bem, ele era louco de amor por ela", conta Gabriela de Oliveira Rodrigues, amiga de infância da vítima, ao UOL. "Ele não demonstrava nenhuma agressividade, tinha um bom comportamento, tratava ela bem", relata a prima Helena Braga dos Santos.

Luiza e Bruno se conheceram na Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), onde a jovem cursava ciências sociais. Bruno também estudava na instituição, e ambos eram participantes ativos na militância do meio acadêmico. A universitária ainda fazia o curso de cinema na PUC (Pontifícia Universidade Católica).

A vítima é descrita pelos amigos como uma jovem intensa, batalhadora e apaixonada por cinema. "Super ativa, trabalhadora, alegre, adorava dançar, curtir a vida", lembra Gabriela.

Em uma rede social, outro amigo publicou: "Poucas pessoas que conheci na vida tinham a coragem de ser o que são e falar o que pensam sem medo de serem aceitas pela sociedade. Minha querida amiga era do contra, do contra a toda hipocrisia, do contra a toda as máscaras, ela era o que era não importava o que dissessem ou pensassem ela era unicamente Luiza Braga."

"Ela era inteligentíssima, defendia os direitos humanos, um pouco feminista, contra o racismo, tinha sua linha política e era muito querida na Uerj", destaca Helena.

Relacionamento estava em crise

Bruno e Luiza estavam juntos desde o ano passado e se mudaram havia quatro meses para um apartamento no Anil, mesmo bairro onde vivem os pais da jovem. Porém a última semana foi marcada por várias discussões entre o casal, que levou Luiza a retornar para a casa dos pais.

Bastante abalado, Luiz Braga relatou como foram os últimos dias de vida de sua filha.

  • Semana anterior: casal briga por causa de ciúmes de Bruno. Luiza decide voltar para a casa dos pais
  • 16 de junho: Bruno liga para a namorada e diz que está doente. No fim do dia, ambos dormem na casa dos pais da jovem
  • 17 de junho: Luiza fica preocupada com a saúde do namorado, cuja família mora em Nova Friburgo. Para ajudá-lo, ela decide voltar ao apartamento de Bruno no dia seguinte
  • 18 de junho: Luiza almoça na casa dos pais e segue para a faculdade. Ela iria acompanhar Bruno até uma Unidade de Pronto Atendimento. Em uma ligação, diz para a mãe que as coisas não estão muito bem, mas que conversaria com ela no dia seguinte
  • 19 de junho: Bruno e Luiza vão embora juntos da universidade. Segundo um amigo contou à família de Luiza, Bruno aparentava estar nervoso na Uerj.
  • 20 de junho: Pai de Luiza recebe uma mensagem do número dela, mas desconfia da linguagem utilizada e a preocupação aumenta. Família crê que mensagem foi enviada pelo namorado
  • 21 de junho: Pai vai ao apartamento de Bruno, mas ninguém atende
  • 22 de junho: Pais retornam ao apartamento, desta vez com o proprietário. A porta é aberta e Luiza, achada morta, com o corpo já em avançado estágio de decomposição

Polícia tenta localizar namorado

Suspeito do crime, o ex-namorado de Luiza apagou seus perfis em redes sociais e está desaparecido. A família da universitária divulgou fotos dele na internet, na tentativa de descobrir seu paradeiro.

A Polícia Civil também está em busca do que considera o principal suspeito do crime, um possível feminicídio. De acordo com informações da Delegacia de Homicídios da Capital, uma perícia foi realizada na casa onde o corpo foi encontrado, e familiares da vítima já foram ouvidos.

Os agentes seguem em diligências para encontrar testemunhas e imagens de câmeras que possam ajudar a esclarecer o caso. "Ele sumiu, ele ligou para o dono da casa e falou que já estava com o dinheiro do aluguel, mas que iria viajar e não poderia pagar", relata Gabriela, amiga de Luiza.

Helena explica que a família está em choque. "Ela era filha única, [a morte dela] acabou com a família. A gente sempre via na televisão, mas nunca passou na nossa cabeça que ia presenciar algo desse tipo. Tudo que a gente quer agora é Justiça", diz.

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