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Witzel rechaça uso "eleitoreiro" de Ághata mas defende pacote anticrime

Agatha Félix morreu na noite de sexta-feira atingida por tiro durante operação policial - Voz das Comunidades
Agatha Félix morreu na noite de sexta-feira atingida por tiro durante operação policial Imagem: Voz das Comunidades

Lola Ferreira

Colaboração para o UOL, no Rio

23/09/2019 15h13

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), afirmou nesta segunda (23) que rechaça o uso da morte de Ághata Félix, 8, como palanque eleitoral. A menina foi morta por um tiro de fuzil dentro de uma Kombi na Fazendinha, Complexo do Alemão. Witzel aproveitou a fala para defender o pacote anticrime.

"Não podemos permitir que a morte de uma criança, assim como outras aconteceram, que sejam transformadas em palanques eleitorais, que serão utilizados para obstruir votações importantes no Congresso Nacional. Tenho certeza que a oposição não terá esse comportamento antidemocrático", afirmou.

Após a morte da menina Ághata na madrugada de sábado (21), o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, publicaram opiniões divergentes sobre o pacote anticrime, que prevê punição mais leve a policiais que cometam "excessos".

Para Maia, é necessária avaliação cuidadosa e criteriosa sobre o excludente de licitude. Para Moro, não há relação possível entre a proposta de legítima defesa e a morte da menina Ághata. Witzel fez coro com o ministro.

"O pacote anticrime é importante. Sobre a excludente de licitude, tenho opinião pessoal de que poderíamos continuar como estamos, com o artigo 25 do Código Penal, mas toda lei que vem para aclarar a aplicação penal é bem-vinda. Aquilo que pode aclarar ainda mais a jurisprudência e permitir ao juiz melhor interpretação da norma penal é bem-vindo. Terá meu integral apoio", afirmou.

Na coletiva desta tarde, Witzel explicou que determinou rigor nas investigações do assassinato da menina Ághata. Ao fazer um paralelo com a sua vida, o governador ficou com a voz embargada e lembrou também se solidarizou com a família.

"Eu também sou pai e tenho uma filha de nove anos, e não posso dizer aqui que sei o tamanho da dor que os pais da menina Ághata estão sentindo. Mas sei que jamais gostaria de passar por um momento como esse. Tem sido difícil ver a dor das famílias que têm perdido seus entes queridos em razão da inescrupulosa atuação do crime organizado, que vem atingindo o Rio de Janeiro não de hoje, mas de muitos anos", disse.

Apesar das condolências prestadas, Witzel aproveitou para defender sua política de segurança: "A população tem sentido nas ruas a sensação de segurança com os programas como Segurança Presente, mas também redução de índices de acidentes de trânsito. Nossa missão é retirar o Rio de Janeiro das mãos do crime organizado. E o resultado está aparecendo de forma satisfatória e significativa".

O governador afirmou que a política da Polícia Militar não é de confronto, mas de enfrentamento. Witzel disse também, que os "narcoterroristas" instigam a polícia.

"Eles atiram nos policiais, nas pessoas, e se não forem contidos, eles irão continuar fazendo aquilo. O crime organizado tem mantido a barbárie como uma de suas principais bandeiras", afirmou. E reafirmou que isso também se aplica ao caso da morte de Ághata.

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