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Mariana Bazza: Suspeito vendeu o som e tentou negociar o carro após o crime

Mariana Bazza, estudante de fisioterapia que foi assassinada no interior de São Paulo - Reprodução/Facebook
Mariana Bazza, estudante de fisioterapia que foi assassinada no interior de São Paulo Imagem: Reprodução/Facebook

Wagner Carvalho

Colaboração para o UOL, em Bauru (SP)

05/10/2019 11h26Atualizada em 07/10/2019 12h10

A Polícia Civil de Bariri, a 340 km da capital, relatou no inquérito policial entregue ao Ministério Público (MP), na quinta-feira (3), o caso da morte de Mariana Forti Bazza, 19, como latrocínio (roubo que resulta em morte).

Na noite em que Rodrigo Pereira Alves, conhecido por Rodriguinho, 33, foi preso em Itápolis (SP), o namorado da vítima, Jeferson Viana, afirmou para o delegado Durval Izar Neto, responsável pelas investigações, que o som automotivo do veículo tinha desaparecido e foi encontrado minutos antes da prisão do suspeito.

Os policiais também levantaram que o suspeito, após cometer o crime, lavou o veículo e tentou o vender o carro da vítima pelo menos em dois locais no município de Itápolis (SP), mas não obteve sucesso. O veículo, avaliado pela família em pouco mais de R$ 8.000 para a venda, chegou a ser oferecido por Rodriguinho por R$ 5.000 e, depois, por R$ 4.000.

Para um tio de Mariana Bazza, ele só não obteve sucesso na venda porque o veículo é antigo, está fora da data de fabricação preferida pelas concessionárias, que é de no máximo seis anos. De acordo com o investigador-chefe de Bariri, José Dadalto, o suspeito após o crime utilizou o celular sem parar e isso ajudou os policiais a "triangular as chamadas" e localizar com exatidão o esconderijo de Rodriguinho.

Celular e carteira

Além de vender o som automotivo e tentar negociar o veículo da vítima, o suspeito do crime também ficou com o aparelho celular e a carteira pertencentes a Mariana Bazza. No dia 28 de setembro, após participar de uma manifestação contra a morte da filha, em uma das poucas aparições públicas, a mãe Marlene Aparecida Forti Bazza, falou sobre os pertences que foram roubados.

Em tom de desabafo, Marlene Bazza afirmou que ele podia ter levado tudo, menos a filha dela. "Se queria o carro, quem tá ligando para o carro, compra outro. Celular, carteira? Ele só não poderia ter levado minha filha. Quando eu lembro que ela não vai mais voltar, não vai mais brincar com o cachorro dela, não vai chegar mais da escola, dói, dói uma dor insuportável no peito", afirmou.

De acordo com a família da jovem Mariana, o celular e carteira seguem desaparecidos. Os policiais que trabalharam no caso não descartam que a foto feita pela jovem enquanto Rodriguinho trocava o pneu para mandar para namorado e que a ajudou a polícia a identificá-lo também pode ter incentivado ao suspeito a matar Mariana Bazza.

"Pode ser sim, a gente não sabe se quando roubou o celular dela esse monstro viu que ela tinha fotografado ele, e mandado a foto para o namorado, daí ele entrou numa loucura com medo de ser identificado e matou minha filha", afirmou Aírton Bazza, pai da vítima.

De acordo com o laudo do IML, o suspeito utilizou de força acima do normal para asfixiar a jovem com aquele pedaço de pano.

Missa

Neste sábado (5), a família vai realizar a missa de 7º dia da jovem. A data foi escolhida porque todo sábado é realizada a missa dos jovens na paróquia de Bariri. A expectativa é de aproximadamente 1.000 pessoas participem da celebração em homenagem a Mariana Bazza.

Mariana Bazza e a família participavam ativamente das atividades da igreja, o velório da jovem chegou a ser anunciado para a igreja matriz de Bariri, mas, a pedido da mãe jovem, a despedida seguiu o rito normal foi realizada no velório municipal.

Relembre o caso

O crime Mariana e a amiga saíram da academia por volta das 8h de terça-feira. A colega disse à polícia que pegou sua motocicleta e saiu em direção ao trabalho. Já Mariana, segundo câmeras de segurança em posse da Polícia Civil, dirigiu-se até seu veículo e notou que o pneu estava murcho. Nesse instante, as câmeras flagraram um homem se aproximar dela e oferecer ajuda para a troca do pneu.

O rapaz conversou com Mariana e logo em seguida se dirigiu para uma chácara em frente à academia. Ainda de acordo com as imagens do circuito interno de segurança, após conversar com o rapaz, Mariana entrou no carro e o guiou para dentro da chácara. Cerca de uma hora depois, o veículo saiu do local.

Uma pessoa saiu pela porta do motorista, voltou após alguns segundos e arrancou com o veículo. Enquanto o rapaz trocava o pneu do carro, Mariana chegou a fotografá-lo e, numa rápida conversa por uma rede social, enviou a foto para seu namorado, Jéferson Viana, tenente da Marinha e que estava em Santos (SP) naquele momento.

Em um dos vídeos das câmeras de segurança da academia frequentada pela jovem, é possível ver que por volta das 10h30 minutos o suspeito voltou para a chácara, estacionou o veículo quase em frente à academia, atravessou a avenida e ficou dentro da propriedade cerca de 30 minutos.

Meia hora mais tarde, câmeras instaladas em cima da ponte do rio Jacaré-Pepira, no município vizinho de Itaju, flagraram o suspeito passando com o veículo da vítima. À noite, a Polícia Civil de Bariri prendeu Rodrigo Pereira Alves, que estava escondido na casa de familiares em Itápolis (SP). Ele apontou o local do corpo no dia seguinte.

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