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Funcionários de supermercado são investigados por torturar surdo no RS

Funcionário surdo é amarrado por colegas em corrimão de supermercado no RS - Reprodução
Funcionário surdo é amarrado por colegas em corrimão de supermercado no RS Imagem: Reprodução

Hygino Vasconcellos

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

09/10/2019 09h43

Dois funcionários de um supermercado estão sendo investigados por injúria e prática de tortura contra outro colega surdo de 22 anos, que foi amarrado no corrimão de uma escada do estabelecimento. As cenas foram gravadas em vídeo. O caso aconteceu em 26 de setembro no bairro Lourdes, em Caxias do Sul (RS).

O UOL teve acesso às imagens que mostram o jovem teve os pulsos amarrados e as costas presas ao corrimão. No vídeo, os funcionários chamam o colega de "mudinho" e pedem que ele mande beijos para os pais, enquanto ele tenta se soltar. Enquanto a vítima tenta se soltar, um dos funcionários fala a ele: "É um vagabundo mesmo, fica amarrado aí".

No vídeo de 44 segundos, outros funcionários passam ao lado do deficiente e não demonstram qualquer reação. O delegado Vitor Augusto Costa explica que a vítima foi amarrada com sacolas plásticas. Além disso, ele teria sido chamado de "macaco" pelos colegas, o que caracterizou a injúria.

O delegado não sabe em que local do supermercado ocorreu a gravação, mas acredita que tenha sido em uma escada a caminho do depósito. A mãe do jovem registrou ocorrência na polícia, no qual relatou que o filho trabalha há cinco anos no local e que, rotineiramente, sofria "brincadeiras de mau gosto".

O jovem passou por exame de corpo de delito, mas o laudo final ainda não foi concluído. Os dois jovens foram demitidos e agora serão chamados para prestar depoimento. Segundo o delegado, a dupla pode ser presa, o que deve ser definido ao longo da investigação. Entretanto, neste momento, Costa observou que os dois "não apresentavam risco à sociedade" e, por isso, não cabia a prisão em flagrante. A identificação deles não foi divulgada, já que a investigação ainda está em andamento.

Em nota, o supermercado Andreazza afirmou que o jovem está recebendo acompanhamento psicológico e já voltou a trabalhar. A empresa salientou que repudia o episódio, classificado como "lamentável". "Esse caso, nada condizente com o posicionamento do grupo, já recebeu nossa devida atenção, e acompanhamos de perto desde que dele tomamos conhecimento", explicou o supermercado.

A empresa reforçou, ainda na nota, que desde 2009 contrata pessoas com deficiência "sempre atento às necessidades específicas e à satisfação de cada um" e reforçou que está à disposição da polícia para esclarecimentos complementares.

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