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"Achei que seria a próxima vítima", diz ex-mulher do "Maníaco do ácido"

Vítima atacada com ácido em Porto Alegre, pelo empresário Wanderlei da Silva Camargo Junior, 48 - Divulgação/Polícia Civil
Vítima atacada com ácido em Porto Alegre, pelo empresário Wanderlei da Silva Camargo Junior, 48 Imagem: Divulgação/Polícia Civil

Do UOL, em São Paulo

13/10/2019 22h56

A ex-mulher de um empresário de 48 anos, preso em Curitiba por atacar cinco pessoas com ácido sulfúrico em Porto Alegre, em junho deste ano, afirmou que temia sofrer o mesmo tipo de ataque.

"Eu achei que seria a próxima vítima", diz a ex-mulher, que sem se identificar, foi entrevistada pelo programa Fantástico, da Rede Globo. Na opinião dela, a série de crimes cometida por Wanderlei da Silva Camargo Junior foi premeditada.

"Ele jogou ácido nas outras mulheres para que quando jogasse em mim, a polícia pensasse que eu fosse só mais uma vítima". Ela disse ainda já ter sido sofrido agressões físicas por parte do investigado.

Entre as vítimas estão um homem e quatro mulheres - uma delas teve queimaduras no rosto - escolhidas de maneira aleatória por ele. Chamado de "maníaco do ácido",

Wanderlei da Silva Camargo Junior foi detido na última sexta-feira (4) em sua casa.

Segundo o delegado Luciano Coelho, responsável pela investigação, o homem teria provocado os ataques para demonstrar para ex-mulher que Porto Alegre era uma cidade "muito perigosa" e, com isso, convencê-la a se mudar para Curitiba.

"Na mente dele, ele resolveu amedrontá-la de alguma forma. Dizer: 'olha o que eu posso fazer, vem morar comigo no Paraná'", disse o delegado.

Os locais onde as cinco pessoas foram abordadas eram de circulação da ex-mulher. O casal estava em processo de separação e teria terminado o relacionamento em agosto, conforme o delegado. Na ocasião, a mulher conseguiu uma medida protetiva contra ele.

Para os crimes, segundo a polícia, o empresário alugou três veículos diferentes e, por meio do GPS dos carros, a polícia conseguiu chegar até ele. Segundo adiretora do Departamento de Polícia Metropolitana (DPM), Adriana Regina da Costa, imagens de câmeras ajudaram a identificar um HB20 utilizado pelo homem.

"A gente tentou identificar todos os veículos HB20 emplacados na capital, no modelo e ano que apareciam nas imagens. Passamos a identificar os proprietários desses veículos e tentar verificar se algum daqueles carros seria o envolvido no fato", afirmou a delegada.

Buscas em locadoras de veículos também passaram a ser realizadas. Os investigadores conseguiram verificar que os carros foram alugados entre 15 a 25 de junho em diferentes estabelecimentos. O suspeito ainda teria roubado uma placa de um carro em Sapucaia do Sul, na região metropolitana de Porto Alegre, e colocado em um dos veículos utilizados nos ataques.

Além dos ataques, o homem é investigado pela polícia por lançar para dentro de uma residência uma carta enrolada em uma pedra. No papel, ele incitava o morador da casa a adquirir o ácido e atacar outras pessoas. Caso contrário, seria a próxima vítima.

"Parabéns!Tu foi mais uma pessoa escolhida de muitas que ainda serão. Tu tem exatamente até o dia 20 de julho para realizar a tua missão. Tua missão será jogar o produto em duas pessoas", diz trecho da carta. Segundo a delegada, o empresário teria tomado um avião de Curitiba para Porto Alegre apenas para lançar a carta. A intenção dele era despistar as investigações.

Em depoimento à polícia, o homem declarou que só iria se manifestar em juízo. Entretanto, informalmente, Camargo Junior confirmou ter praticado os ataques, segundo a polícia. O empresário foi levado a Porto Alegre, para o Presídio Central. Ele vai responder por lesões corporais, furto de placa e adulteração de placa.

Ao Fantástico, a defesa afirmou que as motivações para atitude de Wandelei ainda são desconhecidas, já que, oficialmente, ele escolheu permanecer em silêncio.

Cotidiano