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Crivella é atingido por lama depois de culpar a população por enchentes

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio

02/03/2020 12h30

Resumo da notícia

  • O prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos), foi atingido por lama jogada por um morador da cidade
  • O fato aconteceu depois de Crivella responsabilizar a população pelas enchentes que atingem a capital fluminense
  • O prefeito visitava o bairro de Realengo, na zona oeste da cidade, um dos mais atingidos pelas chuvas

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), foi atingido no rosto e no ombro por lama jogada por um morador de Realengo, na zona oeste da capital fluminense, enquanto concedia uma entrevista coletiva na manhã de hoje. Crivella foi ao local para conferir os estragos provocados pela chuva que atinge a cidade desde a noite do último sábado (29). Ao pisar no bairro, ele já havia sido hostilizado por moradores da região.

Mais cedo, o prefeito responsabilizou a população pelas enchentes que mataram três pessoas na capital e uma na Baixada Fluminense —-uma quinta pessoa desaparecida é procurada pelo Corpo de Bombeiros no município de Queimados. "A culpa é de grande parte da população, que joga lixo nos rios frequentemente", afirmou antes de ser atingido no ombro e na testa por barro arremessado por um morador local.

Pela manhã, o prefeito disse que as pessoas escolhem morar em áreas de risco para "gastar menos com cocô e xixi", durante transmissão ao vivo nas redes sociais. Ao encerrar a transmissão, ele afirmou que há muita coisa que o poder público poderia fazer para combater os prejuízos causados pelas chuvas, porém os cidadãos também precisam fazer sua parte.

"Todas as nossas encostas são perigosas, mas aonde descem as águas, predominantemente chamadas de talvegues, e as pessoas gostam de morar ali perto porque gastam menos tubos para colocar cocô e xixi e ficar livre daquilo, essas áreas são muito perigosas", declarou.

O bairro de Realengo, onde Crivella foi atingido, é um dos mais atingidos pelas enchentes. Na manhã de hoje, ainda é possível ver os carros que foram arrastados para o meio das ruas e residências destruídas.

Bombeiros procuram desaparecido na Baixada Fluminense

Por volta das 12h20 de hoje, bombeiros faziam buscas por um desaparecido em Queimados, na Baixada Fluminense. Às 12h50, a capital seguia em estado de alerta, com previsão de chuva moderada a forte —com isso, o Rio completa mais de 36 horas em alerta.

Em Mesquita, município da Baixada Fluminense que registrou uma morte, o asfalto se rompeu na comunidade da Chatuba, abrindo uma grande cratera na rua Coronel França Leite na madrugada de ontem. De acordo com lideranças locais, a estimativa é de 150 pessoas desalojadas.

A Prefeitura de Mesquita informou que a área estava isolada há mais de uma semana e que os tapumes foram levados pela água. "A Defesa Civil já isolou a área novamente e vistoriará os imóveis, para atestar qualquer risco nos mesmos."

Presidente da Associação de Moradores do bairro da Chatuba, João Paulo Bastos diz que, desde 1989, a região não tem uma enchente de consequências tão graves.

"Desde sábado, a impressão que temos é a de que não vai parar de chover. Parece que o bairro inteiro vai ser dragado. Temos nos desdobrado, com a ajuda de ONGs parceiras e voluntários, para dar assistência às famílias desalojadas."

A Seeduc (Secretaria Estadual de Educação) informou hoje que mais de 40 escolas na Grande Rio não funcionarão hoje em razão das fortes chuvas.

A Subsecretaria de Proteção e Defesa Civil da cidade do Rio recebeu desde a noite de sábado 349 chamados, sendo os principais por desabamento de estrutura (121), deslizamento de barreiras e encostas (79), ameaça de desabamento de estrutura (63) e imóveis com rachadura e infiltração (31).

Os bairros mais afetados são Realengo, Taquara, Campo Grande, Bangu e Deodoro, todos na zona oeste, e Tijuca, na zona norte.

Crivella cancela participação no Roda Viva

A TV Cultura informou hoje que Crivella não irá mais participar do programa Roda Viva. Segundo a emissora, o prefeito não poderá participar do programa devido às fortes chuvas.

No lugar dele, o entrevistado será o advogado Gustavo Bebianno, ex-presidente nacional do PSL e ex-ministro da Secretaria-Geral do governo Jair Bolsonaro (sem partido). O programa, inédito, será comandado pela jornalista Vera Magalhães e vai ao ar a partir das 22h, com transmissão ao vivo pelo UOL.

Cotidiano