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Traficante morto no Alemão alugava armas e movimentou R$ 5 mi em 15 dias

Armas e munições apreendidas em ação no Complexo do Alemão - Divulgação
Armas e munições apreendidas em ação no Complexo do Alemão Imagem: Divulgação

Marcela Lemos

Claboração para o UOL, no Rio de Janeiro

16/05/2020 21h18

Investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro identificou que o traficante Leandro Simões Nascimento Furtado, conhecido como Diminho —morto ontem, durante uma operação em conjunto com a PM, no Complexo do Alemão (zona norte)—, movimentou R$ 5 milhões em 15 dias através da venda de drogas e do aluguel de armas para quadrilhas do Comando Vermelho.

A operação, segundo a Polícia Civil, acabou com 13 mortos.

De acordo com a polícia, Diminho chefiava o tráfico de drogas na Nova Brasília, na Fazendinha e no Parque Proletário, no Alemão, e alugava armamentos para Rocinha (zona sul), Complexo da Penha (zona norte) e também para comunidades da Baixada Fluminense.

De acordo com o delegado da Desarme (Delegacia Especializada em Armas Munições e Explosivos) Marcus Amim, as investigações envolvendo Diminho duraram oito meses.

"Ele é o responsável por grande parte da distribuição de armas para a maior facção criminosa do Rio [o Comando Vermelho]. Ele aluga armas. Contabilidades apreendidas pelo Bope [Batalhão de Operações Especiais da PM] registraram uma movimentação de R$ 2 milhões entre os dias 6 e 8 de maio. Até o dia 15 deste mês totalizaram R$ 5 milhões", disse o delegado.

Leandro Simões era considerado foragido do sistema prisional. Ele já tinha sido preso em 2008 e solto em 2011.

Operação teve 13 mortos

A operação de ontem no Complexo do Alemão começou por volta de 6h e durou mais de quatro horas. Moradores relataram intenso confronto entre bandidos e policiais, além de barulhos de explosão de bombas.

Segundo a Polícia Civil, 13 pessoas morreram na ação. Além de Diminho, morreu também Leonardo Serpa, conhecido como Léo Marrinha, chefe do Pavão Pavãozinho e do morro do Cantagalo (zona sul). Ele estava foragido do sistema prisional desde 2016 e estava escondido no Alemão, segundo a Polícia Civil. Ele e um segurança foram localizados em uma casa no alto da comunidade.

"Uma equipe entrou [no imóvel], eles saíram pelos fundos, bateram com outra equipe que fazia o cerco. Trocaram tiros, se evadiram e foram encontrados no hospital. Tanto o Leo Marrinha quanto o segurança dele." O segurança integrava o tráfico do próprio Alemão e chefiava também a comunidade Parque Proletário, no Complexo da Penha, bairro vizinho.

Além dos três traficantes, outros dez suspeitos morreram. De acordo com informações da PM, cinco chegaram a ser socorridos e levados para os Hospitais Getúlio Vargas e Geral de Bonsucesso (ambos na zona norte) e outras cinco pessoas foram localizadas na avenida Itaóca, que dá acesso à comunidade do Alemão. Os próprios moradores localizaram os corpos no morro e desceram com eles para que as vítimas fossem removidas.

Na ação, a polícia apreendeu oito fuzis, drogas e 85 granadas.

Ainda de acordo ainda com o delegado Marcus Amim, a operação de ontem tinha como objetivo prender chefes de quadrilhas de traficantes que voltaram a transformar o Alemão em base da facção criminosa. "A facção já foi o maior bunker do Rio e está voltando a ser", avaliou o delegado.

A Delegacia de Homicídios da capital investiga as circunstâncias das mortes que ocorreram durante a operação no Alemão. Além disso, a Defensoria Pública pediu uma apuração independente pelo Ministério Público do Rio.

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