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Cotidiano

Ex-PM acusado de matar menino Guilherme é reconhecido por outro homicídio

Josmar Jozino e Marcelo Oliveira

Colaboração para UOL, em São Paulo, e do UOL, em São Paulo

22/07/2020 16h17

Resumo da notícia

  • Gilberto Eric Rodrigues, o segundo PM identificado pela morte do adolescente Guilherme Guedes, 15, foi reconhecido como autor de mais um homicídio
  • Crime ocorreu um dia antes da chacina do Jardim Rosana, em 2013, crime do qual o PM Gilberto também é acusado
  • O PM Gilberto passou dois anos preso pela chacina, mas fugiu do presídio Romão Gomes
  • Polícia pedirá nova prisão preventiva do suspeito em virtude do reconhecimento

O ex-policial militar Gilberto Eric Rodrigues, 32 anos, acusado de participar do sequestro, assassinato e tortura do adolescente Guilherme da Silva Guedes, 15 anos, na madrugada de 14 de junho, na Vila Clara, zona sul, e de ter participado de uma chacina de sete pessoas em 2013, foi identificado como autor de mais um homicídio.

Segundo o DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), Rodrigues foi reconhecido por uma testemunha como um dos autores da morte de Rodrigo Barbosa, em 3 de janeiro de 2013, também no Jardim Rosana.

No dia seguinte, Rodrigues, que na época era soldado da PM, teria participado de uma chacina no mesmo bairro, a um quilômetro de distância do local onde Barbosa foi morto com um tiro na nuca disparado à queima-roupa.

De acordo com as investigações, Barbosa foi abordado por desconhecidos que estavam em dois carros. Um deles era um Volkswagen modelo Space Fox, preto. Depois de dizer que tinha passagem por roubo, ele foi assassinado.

PM Gilberto Eric Rodrigues, apontado pela Polícia Civil como o segundo autor da morte de Guilherme Guedes - Reprodução - Reprodução
O ex-PM Gilberto Eric Rodrigues, apontado pela Polícia Civil como o segundo autor da morte de Guilherme Guedes, está envolvido em mais um homicídio, segundo o DHPP
Imagem: Reprodução

Uma testemunha que estava com Barbosa conseguiu fugir e contou à polícia na época que os criminosos tinham escapado em um Space Fox de cor preta. O mesmo modelo de veículo, produto de roubo, foi utilizado na chacina de 4 de janeiro de 2013 e abandonado no Jardim Rosana.

Policiais responsáveis pelas investigações da chacina tinham encontrado na casa de Rodrigues uma chave de carro que seria do veículo Space Fox preto.

Rodrigues foi preso pelo múltiplo homicídio e levado para o Presídio Militar Romão Gomes, na Água Fria, zona norte. Porém, ele ficou apenas dois anos atrás das grades e fugiu em 1º de abril de 2015.

Como Rodrigues também foi reconhecido pela testemunha como um dos autores do assassinato de Rodrigo Barbosa, o DHPP informou que vai pedir a prisão preventiva dele por mais esse crime.

PM preso no caso Guilherme fazia bico de segurança

Em 14 de junho deste ano, Rodrigues e o sargento Adriano Fernandes de Campos, 41 anos, foram flagrados por câmeras de segurança sequestrando Guilherme. O adolescente foi encontrado dois dias depois com tiros na cabeça.

Segundo o Ministério Público, a família de Guilherme obteve informações de que um dos homens que aparecia no vídeo era Adriano e foi até um terreno pertencente à Sabesp no qual ele fazia bico de segurança. Lá, a família conseguiu o telefone do policial e ligou para ele.

A avó paterna de Guilherme, Vera Guedes, falou para o sargento: "devolve o meu neto". Ele desligou.

O sargento Adriano está preso. Ele era lotado no BAEP de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. A Polícia Civil acredita que o garoto foi confundido com um ladrão pelo sargento e pelo ex-PM.

Busca por comida vencida pode ser a causa

O terreno que era vigiado por Adriano era usado por moradores da região como passagem para acessar a área de um hipermercado no bairro, onde moradores recolhiam produtos vencidos que eram descartados.

Gilberto Eric Rodrigues já estava com a prisão temporária de 30 dias decretada pela Justiça, pela participação na morte de Guilherme, e continua foragido.

Segundo a Polícia Civil, Rodrigues é um dos homens que aparecem nas imagens captadas por uma câmera de segurança do bairro da Vila Clara. A gravação registrou o momento em que os dois suspeitos sequestraram o adolescente (entre 00:27 e 00:39 no vídeo do UOL que aparece no topo dessa reportagem).

Adriano teve a prisão temporária de 30 dias renovada por mais 30 dias. Para o Ministério Público, a prisão do PM é "imprescindível" para a solução do caso.

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