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Diretor de ala da Mocidade diz ter sofrido racismo em mercado no Rio

George Louzada, diretor de da Mocidade, alega que foi seguido por gerente e segurança ao fazer compras em mercado - Reprodução/Instagram
George Louzada, diretor de da Mocidade, alega que foi seguido por gerente e segurança ao fazer compras em mercado Imagem: Reprodução/Instagram

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

14/08/2020 09h10

O diretor da ala de passistas da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel, George Louzada, afirmou ontem que foi vítima de racismo em um mercado da zona norte do Rio.

Em seu relato nas redes sociais, ele disse que foi seguido por um segurança do Multimarket e que o gerente do mercado ainda tentou olhar o que ele tinha dentro da bolsa. O caso ocorreu na unidade do bairro de Madureira, na zona norte da cidade, frequentada sempre pelo coreógrafo que mora em frente. Procurada pelo UOL, a rede Multimarket não respondeu até a publicação da matéria.

Nas redes sociais, Louzada mostrou indignação e deu a sua versão sobre o caso.

O gerente - um senhor branco - me seguiu por todo o mercado, parando em locais estratégicos para olhar o que eu estava pegando, ousou passar por mim e olhar por 3 vezes dentro da minha bolsa para ver o que eu estava pegando. Pediu ao segurança para me seguir (acredito eu que quando o segurança viu quem era, voltou ao seus posto original / na frente do mercado) até porque praticamente todos os dias ele me vê ali. Mas o gerente, não contente continuou com o ato
George Louzada

Louzada afirmou que terminou de pegar os produtos que precisava no mercado sob "os olhares atentos" a ele e a sua bolsa, dirigiu-se ao caixa e posteriormente voltou ao interior do mercado com a nota fiscal da compra nas mãos e questionou a atitude do funcionário.

"Se eu parei o mercado? Parei, pois racismo e preconceito tem que ser exposto", desabafou o coreógrafo.

Louzada terminou o post dizendo que o mercado tem 90% do quadro de funcionários pretos e que ter um atitude racista com um cliente é completamente insano.

"Não se permita passar por essas situações calados. Somos força, somos maioria e seremos resistência sempre. Somos clientes e eles precisam de nós (a massa)", avaliou.

O UOL procurou o Multimarket para se pronunciar sobre o caso, mas até o momento não obteve retorno.

Nas redes sociais, a Mocidade divulgou uma nota e se solidarizou com Louzada. "Repudiamos qualquer ato de discriminação racial, homofóbica, social ou de gênero. Temos orgulho de nossa história construída por negros, brancos e índios! Não há distinção étnica na Mocidade! Todo apoio ao nosso querido George Louzada, diretor de ala de passistas da Mocidade, vítima de racismo em supermercado do Rio de Janeiro nesta quinta-feira. Racistas não passarão!", disse.