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1 mês
RJ: PMs suspeitos de agredir jovem em shopping serão indiciados por racismo

Do UOL, em São Paulo*

14/08/2020 14h18

A Polícia Civil informou hoje que irá indiciar os dois PMs (Policiais Militares) suspeitos de agredir o jovem Matheus Fernandes, 18, e ameaçá-lo dentro do Shopping Ilha Plaza, na zona norte do Rio de Janeiro. Os militares suspeitos responderão por racismo e abuso de autoridade.

O caso ocorreu na última semana e foi publicado nas redes sociais por clientes do estabelecimento que viram a cena e ficaram indignados com a agressão ao entregador.

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro confirmou ao UOL que todos os envolvidos "já foram ouvidos no inquérito" e a investigação segue em andamento.

"De acordo com a 37ª DP (Ilha do Governador), todos os envolvidos já foram ouvidos no inquérito. Os autores estão sendo investigados pelos crimes de racismo e abuso de autoridade. A investigação está em andamento."

Em depoimento prestado na segunda-feira (10), os policiais militares suspeitos da agressão afirmaram que acharam que o boné com estampa do Hulk utilizado pelo jovem entregador fizesse alusão ao traficante Gilberto Coelho de Oliveira, que possui o apelido do heroi. Os suspeitos ainda disseram no depoimento que o caso não foi motivado pelo fato de Matheus ser negro, versão contestada pela família do entregador.

Entenda o caso

Em vídeo divulgado nas redes sociais na última semana (6) é possível ver Matheus sendo agredido e ameaçado por dois policiais militares depois de comprar um relógio de R$ 300 reais para o seu pai em uma loja do shopping.

Além das agressões, ainda é possível ver clientes do local chamando os seguranças do shopping de "covardes" por não impedir o ataque ao entregador. O jovem também acusa os policiais de terem dito que ele roubou o relógio e chegaram a apontar uma arma para o seu rosto durante a agressão.

A família de Matheus afirma que o jovem foi vítima de racismo.

Jaime, advogado e tio de Matheus, disse ao UOL que os seguranças do shopping viram a agressão, mas não fizeram nada para intervir e que o crime se trata de racismo.

"Os seguranças do shopping, uniformizados, nada fizeram. Eles viram os caras armados e não chamaram a polícia. Parece pelas imagens que eles estão todos juntos. É um crime de racismo. Ele [Matheus] é mulato e vítima de dois homens brancos agredindo ele, após comprar um relógio de R$ 300. A nota fiscal estava no bolso dele."

*Com informações de Marcela Lemos, em colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

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