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'Sensação de impotência', diz alpinista que viu amigo morrer durante rapel

Lucas de Zorzi, 39, que morreu durante um rapel no Cânion Espraiado, em Urubici (SC) - Reprodução/Facebook
Lucas de Zorzi, 39, que morreu durante um rapel no Cânion Espraiado, em Urubici (SC) Imagem: Reprodução/Facebook

Hygino Vasconcellos

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

12/10/2020 15h22

A queda de uma pedra que atingiu e matou o empresário Lucas de Zorzi, 39 anos, foi presenciada pelo policial militar Diego Braga, 31 anos. Os dois estavam fazendo um rapel na manhã de ontem no Cânion Espraiado, em Urubici, cidade da região serrana de Santa Catarina. Eles dividiam a mesma corda e estavam a 10 metros de distância um do outro quando a rocha se deslocou, vindo a acertar De Zorzi na cabeça.

O policial estava em um ponto mais alto em relação ao amigo, em uma área íngreme. Sem poder ajudar, só restou ao PM aguardar o resgate por cerca de 40 minutos.

"Como a corda estava tensionada devido ao peso do corpo dele, eu não conseguia chegar até ele. Me senti de mãos amarradas, foi uma sensação de impotência. A princípio pensava que ele estava inconsciente. De onde eu estava, não conseguia enxergar a lesão na cabeça. Quando ele recebeu a pancada eu entrei em desespero", conta Braga, que não podia cortar a corda, pois iriam cair em queda livre de uma altura estimada de 500 metros.

Os dois já tinham passado por aquele ponto durante a trilha de um quilômetro. Para vencer a área íngreme, amarraram a corda em uma árvore e desceram até um ponto em que podiam caminhar. "Como ficou muito vertical novamente e a gente não tinha corda, decidimos retornar", conta Braga. Quando voltavam, aconteceu o acidente.

"Quando eu ouvi a pedra rolando, eu comecei a gritar 'pedra' para avisar que estava rolando. Mas foi muito rápido. Eu o chamei e ele não respondeu. Chamei duas vezes e nada. Tentei me posicionar na parede e vi que estava caído e desacordado".

Mesmo pendurado, Braga conseguiu ligar para o Batalhão de Aviação da Polícia Militar que chegou ao local em 40 minutos. De Zorzi foi o primeiro a ser resgatado e foi levado para Lages (SC). Em seguida, o amigo teve que aguardar o retorno da aeronave. "Eu tinha esperanças dele estar vivo, não vi a gravidade da lesão, só soube que foi morte instantânea no Departamento Médico Legal", explica Braga, que escapou ileso.

A trilha não era totalmente desconhecida dos amigos. Há cerca de um mês, eles estiveram no local, mas tiveram que retornar quando chegaram no ponto da árvore, pois não tinham corda suficiente. Os dois se conheciam há dez anos e, há cerca de um ano, De Zorzi passou a ensinar a prática de rappel para ele. O alpinista deixa um filho de quatro anos e esposa.

Alpinista era experiente

Lucas era considerado uma pessoa experiente no segmento de esportes radicais. Ele se tornou campeão do Brasileiro de Wingsuit Artístico - uma modalidade de paraquedismo - nos anos de 2015, 2016 e 2017, e também era instrutor do esporte. A vítima ainda trabalhava como diretor industrial de uma empresa do segmento de madeira, em Lages.

"O falecimento prematuro interrompe tragicamente uma trajetória marcada pelo espírito aventureiro, por vitórias e conquistas, deixando um grande legado de empreendedorismo e dedicação que servirão de exemplo para as futuras gerações", destacou em nota, a empresa.