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CEO do Carrefour fala em horário nobre da TV após morte de João Alberto

Do UOL, em São Paulo

21/11/2020 21h29

O CEO do Carrefour Brasil, Noel Prioux, gravou em vídeo um comunicado divulgado hoje, por volta das 21h, na televisão aberta. Ele lamentou a morte de João Alberto Silveira Freitas, agredido por dois seguranças em uma unidade do supermercado em Porto Alegre (RS), na noite da última quinta-feira (19).

"O que aconteceu na loja do Carrefour foi uma tragédia de dimensões incalculáveis, cuja extensão está além da minha compreensão como homem branco e privilegiado que sou. Antes de tudo, meus sentimentos à família de João Alberto. E meu pedido de desculpas aos nossos clientes, à sociedade e a nossos colaboradores", disse Noel.

"Se uma crise como essa está acontecendo conosco é porque temos a responsabilidade de mudar isso na sociedade. A morte de João Alberto não pode passar em vão", acrescentou.

O vídeo também contou com a presença de João Senise, vice-presidente de Recursos Humanos da companhia, que afirmou que mais da metade dos funcionários do Carrefour Brasil são negros ou negras, mas avaliou que mais ações de diversidade são necessárias.

"O que aconteceu em nossa loja não representa quem somos e nem os nossos valores. 57% dos nossos funcionários são negros e negras. E mais de um terço dos gestores se declaram pretos ou pardos. Mas não é o bastante. Precisamos de mais ações concretas e efetivas para maior promoção da diversidade", disse.

Anteriormente, o Carrefour Brasil já tinha divulgado nas redes sociais que tomaria as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos nesse "ato criminoso".

Novo vídeo da agressão

Imagens do circuito interno de segurança do Carrefour de Porto Alegre mostram os últimos momentos de João Freitas, de 40 anos, antes de ser morto. Os dois agressores estão presos.

Na gravação obtida pelo UOL, é possível ver Beto, como era conhecido, ao lado da esposa na caixa, que está passando as compras. Ele se afasta dela e fica próximo da parede do outro lado do corredor. Há um segurança perto dele.

Nas imagens, é possível ver que Beto faz um sinal com o dedo polegar — como se fosse um legalzinho — em direção à caixa.

Em entrevista ao UOL ontem, a esposa dele, Milena Borges Alves, de 43 anos, disse que ele havia brincado com uma segurança, que se sentiu ofendida e chamou os colegas, que passaram a segui-lo. Nas imagens, não é possível afirmar para quem ele faz o sinal com o polegar.

Polícia tenta identificar mais testemunhas

A Polícia Civil tenta identificar mais duas pessoas que testemunharam a morte de João Freitas. Os dois aparecem em imagens do circuito interno de segurança do mercado — um deles está de paletó e seria funcionário do mercado e outro está de bermuda e não se sabe se trabalha no local.

A reportagem do UOL teve acesso à gravação, mas não foi autorizada a divulgá-la.

Conforme a delegada Roberta Bertoldo, responsável pela investigação, os investigadores já encaminharam ofício ao Carrefour solicitando a identificação dos dois ou de um deles — caso o outro não trabalhe no local. Com isso, eles podem ser inquiridos a prestar depoimentos.

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