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11 meses

Governo de Alagoas pretende reiniciar aulas presenciais em 21 de janeiro

O governador de Alagoas, Renan Filho (MDB), detalhou o plano para retomada das aulas - Márcio Ferreira/Divulgação
O governador de Alagoas, Renan Filho (MDB), detalhou o plano para retomada das aulas Imagem: Márcio Ferreira/Divulgação

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

21/12/2020 16h05

O governador de Alagoas, Renan Filho (MDB), informou hoje que as aulas presenciais nas redes públicas e privadas iniciarão no dia 21 de janeiro de 2021. O governo definiu que as aulas retornam com 30% da capacidade na rede pública e 50% na rede privada. Um decreto com a oficialização da retomada das aulas deverá ser publicado nos próximos dias.

A data de retorno às aulas foi definida sem a data da vacinação contra o novo coronavírus. Segundo o secretário de Estado da Saúde, Alexandre Ayres, a vacinação deverá ocorrer em fevereiro.

Além disso, o estado vive crescimento do número de casos de infecção do novo coronavírus, causador da covid-19, registrados pelo menos nas duas últimas semanas em Alagoas —com registro de hospitais privados lotados e aumento na ocupação de leitos públicos.

"Vamos anunciar um decreto para, independente das questões de covid-19, que nós vamos administrá-las, nós, se for necessário, intensificarmos medidas do governo, ampliarmos os leitos. Mas, a partir do dia 21, nós vamos retomar a educação em Alagoas com no mínimo 30% da rede pública e 50% da rede privada, isto se a covid-19 estiver com dificuldade", disse Renan Filho, destacando que "não dá mais para levarmos adiante a educação paralisada."

O governador afirmou que o decreto está sendo finalizado e tem como base experiências de outros estados brasileiros que retornaram às aulas.

A volta das aulas presenciais ocorrerão antes do início da vacinação contra o novo coronavírus, o que causa preocupação dos pais. A técnica em informática Rejane Alves, 37, que mora com a mãe que tem hipertensão e problemas cardíacos, disse que achou precipitado o anúncio do governador sobre o retorno das aulas, já que não há garantia que a filha dela não vá se expor ao vírus e trazê-lo possivelmente para casa.

"Dizem que a covid-19 na criança é leve, que quase não se tem sintomas e muitas não tem, mas como eu fico se minha filha for infectada na escola e trouxer para casa o vírus. Minha mãe tem 76 anos, é hipertensa e já fez cirurgia cardíaca, é do grupo de risco. Serão nove meses perdidos de isolamento e distanciamento social para que, ao final, por conta dessa volta às aulas, a gente seja infectada. O governador deveria, pelo menos, vacinar estudantes e professores para diminuir o risco antes de iniciar as aulas presenciais", disse Alves.

O anúncio do retorno às aulas em Alagoas foi comemorado pelo grupo Movimento Escolas Abertas em Alagoas, que é formado por pais, pediatras, neuropediatras, psicólogos e outros especialistas. O grupo defende que a escola é prioridade, e que há formas de ocorrer o retorno seguro das aulas. Além disso, eles questionam o porquê de os parques estarem liberados e escolas ainda continuam fechadas.

"Especialistas defendem que as escolas são lugar mais seguro para as nossas crianças, quando adotados os protocolos adequados, e estão engajados na reabertura para estancar os graves prejuízos que o fechamento prolongado tem causado à infância. Os estudos e evidências científicas demonstram que, priorizando a educação e com os investimentos adequados, a volta às aulas presenciais não só é possível, como é extremamente necessária", justifica o grupo.

Endurecimento de fiscalizações

Em contrapartida, Renan Filho informou que o estado vai endurecer as medidas em bares, restaurantes e eventos -hoje são permitidos em locais abertos a capacidade de 300 pessoas - para diminuir os riscos de infecção do novo coronavírus nesses lugares.

"Nós vamos iniciar o endurecimento de medidas para promover segurança do cidadão. Tudo tem de ser pactuado com a nova leva de prefeitos para ter consonância. Vamos discutir algumas questões como deve ser o funcionamento de bares, eventos, que as pessoas correm risco maior, mesmo quem deseja ir. O endurecimento das medidas terá o fortalecimento do alerta ao cidadão, fiscalização em espaço com música, shows, no convívio social. Se for necessário, vamos retroceder de faixa ou criar um novo decreto com novas medidas", explicou o governador de Alagoas.

O governador admitiu o crescimento de casos da infecção do novo coronavírus em Alagoas, mas ponderou que o estado é um dos menos afetados pela doença.

"A covid-19, que chegou a matar 222 pessoas por semana epidemiológica, passou a ter 12 semanas seguidas com mortes estabilizadas, entre 10 e 18 mortes. Nas últimas semanas, voltamos a ter crescimento. Na semana passada tivemos 31 mortes, e esta semana ainda estamos fechando, mas já chegamos com 38 mortes, podendo crescer mais com a contagem de hoje, sábado e domingo. Mesmo assim, ainda é 30% menos do que fora o pico da doença", disse Renan Filho.

Alagoas tem desde o início da pandemia 101.285 pessoas que foram infectadas pelo novo coronavírus e 2.410 mortes causadas pela covid-19, além de 9.429 casos suspeitos da doença. De ontem para hoje, foram 307 novos registros de infectados e seis mortes, segundo boletim epidemiológico da SES (Secretaria de Estado da Saúde).

Renan Filho disse que espera que a vacinação contra o novo coronavírus inicie o quanto antes e destacou que o governo de Alagoas firmou termo com o Instituto Butantan para comprar 1 milhão de doses para imunizar moradores de Alagoas caso o governo Federal não envie nenhuma dose ao estado.

"Eu espero o quanto antes que a vacina venha. Fiz um termo de cooperação com o Butantan para garantir, se o governo federal não mandar nada para cá, para a gente comprar 1 milhão de doses. Eu espero que o país faça como fez sempre no plano de imunização de a União enviar as vacinas necessárias. A vacinação no país inicia no final de janeiro e início de fevereiro, e nós estamos na fila para caso não venha da União garantirmos a vacinação aqui", destacou o governador.

O secretário de Estado da Saúde, Alexandre Ayres, disse, um dia após a assinatura do termo com o Butantan, que a vacinação contra o novo coronavírus em Alagoas deverá ocorrer na segunda semana de fevereiro. A vacina que deverá ser adquirida pelo governo de Alagoas, caso o governo federal não envie nenhuma dose, será a CoronaVac, do laboratório chinês Sinovac, que tem parceria com o Butantan.

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