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1 mês

Delegado não vê racismo após mulher negra ser acusada de furto em SP

Érica Scheila Rodrigues de Carvalho diz ter sido vítima de racismo em shopping de SP - Arquivo pessoal
Érica Scheila Rodrigues de Carvalho diz ter sido vítima de racismo em shopping de SP Imagem: Arquivo pessoal

Daniel César

Colaboração para o UOL, em Pereira Barreto (SP)

08/03/2021 16h04

O delegado Rafael Lourenço Sangaleto, responsável pela investigação sobre uma denúncia de racismo ocorrido na quinta-feira 04) em um shopping de Andradina (SP), diz que não está investigando como crime de racismo, mas apenas de calúnia.

Ao UOL, o delegado foi questionado se o fato de uma mulher negra ter sido abordada e revistada sob a acusação de furto não caracterizaria crime de racismo, o que foi descartado por ele.

"Fique à vontade para tirar suas conclusões", respondeu o responsável por registrar a situação, enfático em reafirmar que "o BO foi registrado como calúnia".

A reportagem procurou o delegado para verificar o andamento das investigações. "Não teve 'racismo', foi uma calúnia apenas", afirmou Rafael por mensagem de celular, sem explicar os motivos de ter utilizado a palavra racismo entre aspas após o questionamento.

Como Érica Scheila Rodrigues Carvalho contou à reportagem que foi chamada de "encardida" por uma cliente do Oeste Plaza Shopping, a frase foi repassada para o delegado, que estranhou a afirmativa.

"Isso não foi me passado. Em nenhum momento me foi dito pela vítima, autora ou militares relacionado à cor de pele", insistiu ele.

Procurada, Érica confirmou a frase. "Eu não falei nada para o delegado porque eu só conseguia chorar e apenas confirmei que me acusaram de furto, sendo que não preciso roubar nada", dise ela, emocionada.

Érica diz ainda que está sendo instruída por um advogado e irá representar contra o shopping e contra a cliente que a ofendeu. Ela apresentou à reportagem uma testemunha, que preferiu não se identificar temendo represália, e que confirmou ter ouvido a mulher a chamando de encardida.

"Mesmo que não tivesse chamado, o shopping não revista pessoas brancas", afirmou Érica, que está sem dormir direito desde que a situação aconteceu. "Eu tive de passar na psicóloga e vou levar até o fim se for preciso", garante.

Relembre o caso

Érica estava comemorando seu aniversário com o esposo no Oeste Plaza Shopping, em Andradina (SP), a 630 km de São Paulo, quando decidiu comprar dois livros em uma livraria do local. Por eles, pagou R$ 15 e estava saindo do estabelecimento, já aguardando o marido que teria ido buscar o carro quando o caso aconteceu.

Segundo ela, uma funcionária e um segurança do shopping teriam dito que uma cliente a denunciou por ter furtado livros e os colocado na bolsa. Érica foi revistada no corredor e, quando se constatou que não houve o roubo, foi levada até a testemunha.

Tratava-se de uma cliente do estabelecimento e que estava na praça de alimentação e que voltou a acusá-la de roubo. No meio do bate-boca, Érica e a testemunha dizem que ouviram a mulher se referir a ela como "encardida".

A PM foi chamada e a vítima afirmou ainda que os policiais também quiseram revistá-la, o que a deixou ainda mais revoltada. O Oeste Plaz soltou nota oficial lamentando o ocorrido.

Confira a nota na íntegra:

O OESTE PLAZA SHOPPING, lamenta profundamente o triste acontecimento do fato ocorrido em suas dependências no último dia 04/03/2021 e desde já ressalta que não teve qualquer envolvimento, de forma que mantém o compromisso de tratar seu público com respeito e qualidade e, repudia veementemente qualquer tipo de conduta que resulte em constrangimento de qualquer espécie.

Esclarecemos que estamos acompanhando as apurações que estão sendo realizadas, e caso seja necessário, adotaremos providências, na medida em que nos compete.

Att.

Administração Oeste Plaza Shopping

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