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Conteúdo publicado há
4 meses

Professor é demitido após fala sobre estupro em aula: 'Relaxe e aproveite'

Abinoan Santiago

Colaboração para o UOL, em Florianópolis

21/03/2021 16h03

Um professor universitário foi demitido de duas faculdades no interior do Paraná depois de fazer um comentário considerado pelos alunos como apologia ao estupro. A declaração do docente aconteceu em 12 de março, mas veio à tona na sexta-feira (19) nas redes sociais após estudantes não se conformarem com o pedido de desculpas na aula seguinte ao fato.

"É algo, meu amigo, que você tem que se adaptar. Desculpe, meninas, eu sei que é chulo o que eu vou dizer, mas é aquele ditado: se o estupro é inevitável e iminente, relaxe e aproveite", declarou o professor, identificado como Ricardo Germano Efing.

A afirmação ocorreu durante a aula remota de ergonomia do quinto semestre do curso de Engenharia de Produção, do Centro Universitário do Vale do Iguaçú (Uniguaçu), de União da Vitória, a 242 quilômetros de Curitiba.

Veja abaixo:

Uma aluna que assistiu à aula, mas que preferiu não se identificar, contou ao UOL que o professor disse as frases durante uma tentativa de analogia sobre novas adaptações no mercado de trabalho.

"Um colega perguntou o motivo de os idosos não conseguirem se adaptar às novas tecnologias. O professor respondeu que, quando você é chefe ou dono de uma empresa e precisa demitir, não há escolha e deve mandar embora. Nisso, ele usou essa infeliz frase para dizer que o funcionário não tinha o que fazer e sim apenas aceitar, utilizando essa analogia", explicou a estudante.

A aluna comentou que a turma não se convenceu com os pedidos de desculpas do professor na aula seguinte, em 19 de março. O trecho da declaração foi gravado por um celular e compartilhado nas redes sociais, o que gerou as demissões devido a repercussão.

"Reunimos com o coordenador do curso e fomos avisados de que ele pediria desculpas na aula. Fui ver o vídeo e fiquei chocada. Esperamos a desculpa, mas foi algo muito vago, dizendo que não tinha o que fazer porque era a nossa opinião", contou a estudante.

Professor se desculpa e diz frase estava fora de contexto

Em nota, Efing diz que a divulgação do vídeo contém apenas um "pequeno fragmento descontextualizado da aula transmitida via internet", mas destaca que, "após devida reflexão, se mostra integralmente inapropriada".

"Ao exemplificar uma situação, foi utilizada expressão popular que, após a devida reflexão, se mostra integralmente inapropriada e que não poderia ser aceita com naturalidade ou indiferença", comentou.

Ele acrescenta ainda que "será buscado o necessário aprendizado com essa situação".

"Não se pode deixar de reconhecer o machismo estrutural presente em nossa sociedade que, infelizmente, reproduz comportamentos os quais devem ser devidamente enfrentados de modo construtivo, para que todos possam aprender e progredir para uma sociedade mais respeitosa e igualitária. Reconhece-se este erro e será buscado o necessário aprendizado com essa situação", afirmou.

O professor finaliza pedindo desculpas e frisando que a sua trajetória acadêmica não poderia ter menos destaque que a declaração.

"Feita esta reflexão, entende-se que a trajetória acadêmica e a carreira no magistério não podem ser avaliadas por uma expressão isolada. Expresso desde logo meu pleno respeito a todas as mulheres, jamais pretendendo ofendê-las ou agredi-las. Externo minhas mais sinceras desculpas", concluiu.

Universidades demitem docente

A Uniguaçu publicou nota nas redes sociais afirmando que "assim que tomado conhecimento, celeremente reportou-se primeiramente à turma com pedido de escusas, e logo a seguir deliberou pela tomada de medidas administrativas para imediato desligamento do professor da instituição de ensino". Efing estava na instituição desde 2013, segundo diz em seu currículo Lattes.

O Centro Universitário Campo Real, de Guarapuava, onde Efing também lecionava, tomou a mesma medida. "[A faculdade] reitera ainda que preza pelo respeito à mulher e não tolera condutas de desconsideração a qualquer de seus direitos em seus ambientes de ensino", garantiu, em nota.

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