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1 mês

Ação no Jacarezinho deveria ser 'profundamente investigada', diz sociólogo

Do UOL, em São Paulo

11/05/2021 10h33Atualizada em 11/05/2021 13h48

O cientista social Paulo César Ramos e o coronel reformado José Vicente defenderam hoje uma ampla apuração do que aconteceu na operação na comunidade do Jacarezinho, no Rio de Janeiro, e que resultou na morte de 28 pessoas, entre elas, um policial.

"Gostaria que os policiais responsáveis pelas mortes e que a operação como um todo fosse profundamente investigada e cada um dos agentes públicos envolvidos nesse processo fossem responsabilizados, a despeito da não responsabilização dos agentes públicos quando eventos como esse costumam acontecer", disse Ramos durante o UOL Debate, apresentado por Fabíola Cidral. A jornalista Cecília Olliveira, idealizadora e diretora da plataforma Fogo Cruzado, também participou da conversa.

Para Ramos, a repercussão do caso aumenta as chances de que "os agentes envolvidos no processo sejam responsabilizados". Mas, segundo o cientista social, o ocorrido é a "ponta do iceberg de um conflito mais enraizado". "Um conflito dessa monta nunca envolve um vetor institucional. Com certeza existem outros autores", completou.

O Jacarezinho pode ser o ponto de inflexão para a segurança do Rio de Janeiro como foi o Carandiru e a Favela Naval para São Paulo.
José Vicente, coronel reformado da Polícia Militar

Para o coronel José Vicente, o ocorrido na última semana no Rio é comparável a dois episódios emblemáticos de violência policial em São Paulo, a morte de 111 detentos após uma rebelião no presídio do Carandiru, em 1992, e as cenas da favela Naval, na cidade de Diadema (SP), onde grupos de policiais foram filmados batendo, torturando, extorquindo e até matando pessoas.

"O Jacarezinho pode ser o ponto de inflexão para a segurança do Rio de Janeiro como foi o Carandiru e a Favela Naval para São Paulo. A partir desse evento, principalmente [o que ocorreu] na Favela Naval, uma reiterada ação de violência de policiais, a polícia tomou um rumo diferente que tornou a Polícia Militar uma referência internacional de atividade profissional, treinamento e tecnologia", afirmou.

Vicente espera que a perícia "faça uma rigorosa apuração, não sobre se as vítimas eram criminosos", pois isso "não autoriza que eles sejam mortos em uma operação", e afirma ver uma saída política para policiais envolvidos no caso.

"Nós estamos observando que há uma saída política por policiais envolvidos na operação ou responsáveis por ela, assim como autoridades de Brasília, desculpando a ação porque eram todos bandidos e mereciam morrer de toda forma. Foram executados mesmo sem pena de morte no país. Acho importante que seja um marco", completou.

Na opinião da jornalista Cecília Olliveira, a questão passa pela falta de serviços de educação, saúde e cultura nas comunidades.

Quando você pega e analisa o Jacarezinho como ele é, vê que falta absolutamente tudo. A única coisa que tem ali regularmente é a polícia. Você não tem escolas boas, bons postos de saúde, equipamentos de cultura, suporte de creche para mães que precisam trabalhar. Tudo isso é desorganizado naquele bairro. Então o que você espera que dê certo?
Cecília Olliveira, jornalista

"A gente viu que essa operação tem uma série de descoordenações: a motivação mudou, o número de mortos mudou, está tudo mudando", disse a jornalista. "A imprensa vai investigando, solta uma coisa, muda mais um detalhe que a polícia apresentou."

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