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Movimento negro faz atos pelo Brasil no dia que marca o fim da escravidão

Protesto em Salvador faz referência ao "genocídio do povo negro", uma semana após operação policial realizada na comunidade do Jacarezinho, no Rio - Mauro Akiin Nassor/Fotoarena/Folhapress
Protesto em Salvador faz referência ao "genocídio do povo negro", uma semana após operação policial realizada na comunidade do Jacarezinho, no Rio Imagem: Mauro Akiin Nassor/Fotoarena/Folhapress

Do UOL, em São Paulo

13/05/2021 17h37Atualizada em 13/05/2021 21h34

Os movimentos negros se mobilizaram hoje para realizar atos por todo o Brasil no dia que marca o fim da escravidão, que durou mais de três séculos no país. Na data em que a princesa Isabel assinou a Lei Áurea em 1888, os atos protestam contra o racismo e por direitos iguais, além de questionarem a violência policial.

Uma semana após a operação policial que deixou 28 mortos —sendo 27 civis e um policial— na comunidade do Jacarezinho, no Rio de Janeiro, a maioria dos atos foi convocada pela Coalizão Negra por Direitos. A organização coordena os protestos realizados por entidades do movimento negro de todo o país.

Apesar de a data ser oficialmente o Dia da Abolição da Escravatura, a Coalização Negra por Direitos reconhece o 13 de maio como Dia Nacional de Denúncia Contra o Racismo. Neste ano, além da ação policial no Jacarezinho, os atos também lembram o agravamento da fome no país por causa da pandemia de covid-19.

Os protestos começaram pela manhã em capitais do Norte e do Nordeste, como Rio Branco (AC), Salvador (BA) e Fortaleza (CE).

No Rio, centenas de manifestantes pediram justiça por mortes ocorridas em operações policiais e gritavam palavras de ordem, durante ato contra o racismo realizado nas ruas do centro da cidade. A manifestação também homenageou os 27 mortos da comunidade do Jacarezinho, na zona norte --a operação considerada a mais letal do Rio de Janeiro completa uma semana.

"CPF tem cor, O genocídio tem cor", Michele Ramos, ativista do Complexo do Alemão

Já em São Paulo, os manifestantes se reuniram no vão livre do Masp (Museu de Arte de São Paulo), na avenida Paulista, para protestar pelo fim do racismo, do genocí­dio negro e das chacinas. Uma das pistas da avenida —no sentido Consolação— foi fechada.

"Nem bala, nem fome e nem covid", gritavam alguns manifestantes. Outros também demonstravam o descontentamento com o governo Bolsonaro. "O plano desse 'desgoverno' é o genocídio", protestou um deles, com cartaz.

Também foram convocados atos internacionais em Nova York e Austin, nos Estados e Unidos, e em Londres, na Inglaterra. Em Nova York, manifestantes carregaram cartazes em inglês pedindo o fim do genocídio da população negra.

Já nos atos realizados pela manhã no Brasil, além da luta contra o racismo e a reivindicação pelo controle social da atuação das polícias, manifestantes também pediram a saída do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) do cargo.

Ato em São Paulo lembra escravocratas

Na capital paulista, além do ato convocado pela Coalização Negra por Direitos, também foram realizadas pela manhã ações que lembram o passado escravocrata da cidade. O movimento "SP é Solo Preto e Indígena" fez intervenções em locais com nomes de ruas ou monumentos que homenageiam essas personalidades.

A vereadora Luana Alves (PSOL), autora de um projeto de lei na Câmara paulistana que propõe substituir nomes de ruas e símbolos da cidade que lembram escravocratas, esteve presente em ações que incluíram um protesto na estátua do Borba Gato, homenagem ao bandeirante paulista Manuel de Borba Gato.

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