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13 de maio: Mães de mortos por policiais pedem justiça no Rio de Janeiro

Ato contra o racismo foi realizado no centro do Rio de Janeiro - LUCIANO BELFORD/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO
Ato contra o racismo foi realizado no centro do Rio de Janeiro Imagem: LUCIANO BELFORD/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO

Tatiana Campbell

Colaboração para o UOL, no Rio

13/05/2021 20h04

No dia em que se completa 133 anos da Abolição, centenas de manifestantes pediram justiça por mortes ocorridas em operações policiais e gritavam palavras de ordem, durante ato contra o racismo realizado nas ruas do centro do Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (13).

CPF tem cor. O genocídio tem cor", Michele Ramos, ativista do Complexo do Alemão

A manifestação também homenageou os 27 mortos do Jacarezinho, comunidade localizada na zona norte —hoje a operação considerada a mais letal do Rio de Janeiro completa uma semana.

De acordo com dados da Coalizão Negra Por Direitos, que organizou o ato, em 2020, mais de 5,6 mil pessoas foram mortas pelas polícias no Brasil. Pelo menos 75% das vítimas eram negras. Uma delas foi Cleyton dos Santos Braga, de 18 anos, baleado na cabeça em 2015.

"Ele saía de uma festa em Irajá [bairro da zona norte], comemorava que tinha passado pro Quartel. O movimento de hoje é a volta de tudo, vem todo aquele sentimento, é uma manifestação que a gente ainda está de pé e queremos ficar vivos", disse Nádia dos Santos, 42, mãe do rapaz.

Ato contra o racismo foi realizado nesta quinta-feira (13) nas ruas do Rio de Janeiro - JOSE LUCENA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO - JOSE LUCENA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO
Ato contra o racismo foi realizado nesta quinta-feira (13) nas ruas do Rio de Janeiro
Imagem: JOSE LUCENA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

O protesto reivindicou ainda o auxílio emergencial de R$ 600 até o fim da pandemia, já que a população carente tem sido uma das mais afetadas pela covid.

"Estamos com fome, nossas famílias não tem mais comida em casa. A população negra não tem espaço no mercado de trabalho. Não aguentamos mais esse governo genocida que nos esquece", desabafou Wellington Silva, de 27 anos, morador do Complexo do Alemão, na zona norte.

Um dos organizadores da manifestação era Thainã de Medeiros, 37, que representava o Coletivo Papo Reto.

"A gente tem um problema estrutural, as polícias fazem parte de uma instituição com uma longa história de construção de racismo. Nenhuma operação no mundo com 28 mortos é sucesso, ainda que seja uma pessoa que deva alguma coisa, aqui não existe pena de morte. Um homem morrer na cama de uma criança, não é tolerável".

Durante a manifestação os protestantes seguravam cartazes com dizeres como: "o povo preto quer viver", "lar de moradora, respeite" e "não ao genocídio do povo preto".

Atos por todo o Brasil

Os protestos começaram pela manhã em capitais do Norte e do Nordeste, como Rio Branco (AC), Salvador (BA) e Fortaleza (CE). (Veja fotos abaixo)

Em São Paulo, os manifestantes se reuniram na noite de hoje no vão livre do Masp (Museu de Arte de São Paulo), na avenida Paulista, para protestar pelo fim do racismo, do genocí­dio negro e das chacinas. Uma das pistas da avenida --no sentido Consolação-- foi fechada.

"Nem bala, nem fome e nem covid", gritavam alguns manifestantes. Outros também demonstravam o descontentamento com o governo Bolsonaro. "O plano desse 'desgoverno' é o genocídio", protestou um deles, com cartaz.

Os movimentos negros se mobilizaram para realizar atos contra o racismo no dia que marca o fim da escravidão, que durou mais de três séculos no país.

Apesar de a data ser oficialmente o Dia da Abolição da Escravatura, a Coalização Negra por Direitos reconhece o 13 de maio como Dia Nacional de Denúncia Contra o Racismo. Neste ano, além da ação policial no Jacarezinho, os atos também lembram o agravamento da fome no país por causa da pandemia de covid-19.

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